Foto: Instagram de Zeca Camargo
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Leio com interesse a coluna de Zeca Camargo na Folha de S.Paulo,
“É carnaval e ninguém sabe onde estou”.
Ele faz um suave relato sobre suas andanças pelo mundo, com destaque para as vezes em que o jornalista_viajante perdeu-se neste mundão de Meu Deus em plena a folia – e se deu conta que, no tal momento, curtia lugares raros e de rara beleza, sem que sequer os amigos mais chegados soubessem onde ele estava.
Diz ele, num dos trechos:
“A festança bate à nossa porta e tem gente que quer fugir dela? Como assim? Essa me parece uma opção absurda, até eu me lembrar de momentos de tranquilidade que já experimentei pelo planeta.
Por exemplo, no Parque Nacional das Montanhas Simien, na Etiópia. Num raio de alguns quilômetros, só o que via era um bando de babuínos-gelada, que certamente não davam a menor bola para mim e seguiam coçando as costas uns dos outros, como se o Homo erectus ainda nem estivesse no horizonte da evolução.”
Assim segue a crônica a descrever outros estranhos pontos do Planeta em que o jornalsta esteve, com as mesmas sensações de solidão e encantamento.
Mais pra frente, Camargo conclui:
“Foi libertador”.
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De volta aos dias atuais, ele acrescenta no texto: está prestes “a abraçar a festança”, mas antes se permite revisitar, na memória, “paisagens que me inspiraram infinita tranquilidade”.
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Não sou propriamente um folião, longe, bem longe disso.
Mesmo assim, lembro que, em determinada ocasião, ao renovar o visto americano para fazer uma viagem a Nova York justamente aproveitando a folga do Carnaval, a funcionária que me atendeu no Consulado não conteve o riso irônico. Também ela se disse incrédula ao constatar a data da viagem.
“Mas, o que vocês vão fazer lá nesses dias? É aqui que as coisas acontecem.”
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Enfim…
Somos nossas escolhas.
Gosto de viajar – e de escrever.
Gosto de lembrar, em algumas crônicas, tal e qual o Zeca Camargo, momentos dessas viagens.
Imagino saboreá-los, revivê-los.
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Estava “viajando” nesses pensamentos ao terminar a leitura.
E, por descuido, antes de mudar de página, dei uma espiada nos comentários do que Zeca escreveu – e, vapt, tenho um choque de realidade (que muito provavelmente também me caiba como uma luva):
Diz o injuriado leitor, de nome Galdino:
“Não escreve para os leitores. Escreve para ele próprio.”
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Meu caro Sr. Galdino e aos demais que aqui me honram com a leitura, vou lhes dar um mandamento inarredável sobre a arte e o ofício do cronista, do poeta e, quase sempre, do escritor:
“Escrever é primordialmente acolher-se. E multiplicar-se”.
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TRILHA SONORA
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