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1989. A eleição e o jornalismo

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Dia de votação do segundo turno nas eleições de 1989 (São Paulo-SP) / Foto: Alexandre Battibugl/Acervo Digital FPAbramo,

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Ao rever o post de ontem — Anular é escolher —, assaltou-me um mergulho nostálgico naqueles idos de 1989, quando, depois de quase 30 anos sem escolher pelo voto direto o presidente da República, os brasileiros voltaram às urnas.

Momento verdadeiramente histórico.

Para quase todos nós, jornalistas, diria que foi um enorme desafio.

Raros, os mais vividos, estavam no front quando Jânio Quadros se fez presidente, em 1960.

Éramos marinheiros de primeira viagem. Uma instigante novidade.

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Pois então, meus caros e raros.

Ao remexer nessas lembranças, veio-me à memória um encontro pós-expediente que aconteceu naquele restaurante Sujinho, na Avenida Consolação, ponto de encontro de muitos de nós, jornalistas, intelectuais, pessoal de teatro e assemelhados.

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Foi o Nasci quem deu a ideia de irmos para lá assim que saíssemos do jornal.

Haveria uma “reunião” para fazermos um balanço dos erros e acertos da cobertura jornalística no pleito eleitoral, o primeiro a escolher um presidente após 21 anos de arbítrio ditatorial.

Que me lembre, todo o pessoal de imprensa — repórteres, editores ou fotógrafos — que estava ali pertencia a publicações impressas.

Totalmente diferente do que acontece hoje em dia.

Parece que estou falando da Idade da Pedra do jornalismo, não?

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Enfim…

Sigamos.

A conversa seguiu madrugada adentro, em tom amistoso.

Uma falação generalizada e informal.

Concluiu-se, sem qualquer protocolo, que, entre achados e perdidos, tínhamos nos saído relativamente bem. Dada a inexperiência generalizada, a sensação era a de “dever cumprido”, após meses de corre-corre destrambelhado, em meio à correria provocada pelo adiantado dos fatos e pelos prazos de fechamento das edições.

Acompanhávamos a agenda dos candidatos com repórteres e fotógrafos indo aonde eles fossem. Nada — ou quase nada — de assessorias ou de outro tipo de virtualidade, que sequer imaginávamos àquela época.

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A presença de Lula no segundo turno, à frente de Brizola e do Dr. Ulysses, pegou a todos de surpresa.

Os patrões e o empresariado se inquietaram.

Houve um zum-zum entre os militares, que se puseram em alerta.

Mas, enfim e por fim, nada de mais perturbador aconteceu.

Só um dos presentes lembrou a grande nódoa da campanha eleitoral, comprometedora, que ficaria para a história: a edição tendenciosa do debate entre Collor e Lula na Globo.

E muitos, acreditem, questionaram se o que se fazia na TV era jornalismo, mesmo jornalismo…

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O RECADO DO JANONES

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