Ato em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ontem uma multidão em Copacabana (RJ)/ Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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Não sei onde anda o Poeta.
Faz uns oito anos que não o vejo, mas ele continua meu amigo.
Lembrei-me dele na noite de domingo por motivos óbvios.
Ele é corintiano e sempre foi um grande amigo.
Generoso que só. Um falastrão do bem.
Estou certo de que ele alegaria um milhão de motivos para justificar a derrota do seu amado Corinthians para o meu Palmeiras por inapeláveis 4 a 1.
Nossas conversas (ô saudade!) eram marcadas por provocações mútuas e, vá lá, deletérias discussões que se prolongavam por horas e horas.
Nunca deixamos de ser grandes amigos, reitero.
Só uma vez, se bem me lembro, demos um tom mais sério à nossa conversa.
Vivíamos um período pré-eleitoral.
E o Poeta saiu-se com a defesa do voto nulo.
Até ameaçou rabiscar um “manifesto” em forma de poema sobre o tema.
Ele não concordava com nenhum dos candidatos.
Dizia, em tom solene, que pertenceu “ao histórico Partido Humanista”.
E, naquele momento, não via nenhum partido, nenhum candidato, nada e ninguém que pudesse representá-lo.
Discordei — e deu-se o furdúncio, digamos, que passou do tom amigável.
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Sou contra o voto nulo.
(Vale também para o voto em branco e para as abstenções.)
Não lhe dou a representatividade político-ideológica que o Poeta lhe atribuiu na ocasião.
Entendo que, diante das urnas, somos livres para fazer o que melhor nos aprouver.
Mas abrir mão do direito de votar em alguém é o mesmo que se anular como cidadão — e deixar que escolham por nós.
É o que hoje estamos vivendo, de maneira mais dura e devastadora do que naquela época (em 2010).
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Lembro-me de outro amigo, o Fernando Saliba, que nos criticou a valer no segundo turno da eleição presidencial de 1989, pois a Redação estava rachada na ocasião. Uma parte dos não petistas — eu, por exemplo, votei em Mário Covas no primeiro turno — havia cogitado anular o voto no segundo escrutínio.
Saliba bateu duro.
— Anular o voto dá no mesmo que votar no Collor.
Todos ali, na velha redação de piso assoalhado e janelas para a rua Bom Pastor, tínhamos consciência de que Collor seria um desastre — o que acabou acontecendo.
Saliba tinha razão.
Aprendi a lição.
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SAKAMOTO EXPLICA…
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