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A estratégia e a sala de aula

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Separei um texto que o filósofo Renato Janine Ribeiro postou em sua página no Facebook:

Brilhante, a estratégia de Glenn Greenwald (foto)

1.Assumiu o protagonismo do jogo. Seus alvos estão fazendo exatamente o que ele quis ou previu. Ele controla o tabuleiro. Pela primeira vez desde 2015, a extrema-direita perdeu a iniciativa.

2. Os procuradores e Moro responderam a ele justamente o que ele queria: confirmaram a autenticidade das fitas. Foram debater a forma, não o conteúdo. Assim disseram: você, Glenn, diz a verdade.

3. Ele previu até o argumento que iam usar: a defesa da lei e da privacidade. E respondeu a isso domingo, antes mesmo da reação do grupo: vcs não fizeram isso com Dilma? Que moral têm? Assim, tirou deles o argumento moral, que era o principal da Lava Jato e que esta conduziu para a ideia de que os fins justificam os meios.

4. Enquadrou a mídia pátria. A imprensa internacional caiu matando. A Folha de hoje tem um relato bom das reações no estrangeiro. E os jornais de fora que li chamam todos nosso governo de exceção de “extrema-direita”. Nenhum usa o eufemismo “direita” (direita é Merkel, cara-pálida!) ou “liberal” (liberal é o Economist, stupid!). Vai ser difícil passar pano por muito tempo.

5. Ao dizer que não divulgaria as intimidades dos membros do grupo , mostrou-se superior a eles (que publicaram conversas privadas de dona Mariza – sem falar na subtração do iPad do pequeno, hoje falecido, Artur) – e deve ter causado medo de que divulgue. Acuou-os.

6. Finalmente, anunciou que soltará mais dados a conta-gotas. Tornou-se senhor do tempo ou, se quiserem, é quem decide quais serão as próximas etapas, o desdobramento do assunto (até porque ninguém sabe o que ele sabe).

Explico a escolha:

Se ainda estivesse em sala de aula, levaria essas linhas para a discussão com os preclaros estudantes.

Não importa o semestre que estivessem cursando, acho valioso para quem deseja ser jornalista (na acepção do termo) entender e refletir sobre os inequívocos pilares da profissão, aquela que um dia se propôs a ser a expressão do pensamento social.

Ter como referência esses princípios ainda nos é fundamental:

  1. Respeito à verdade factual
  2. Postura crítica e fiscalizadora
  3. Independência

Acrescentaria à nossa conversa mais alguns questionamentos:

O que você (estudante) faria se tivesse o material explosivo que o jornalista americano tem em mãos?

Compraria a briga que é gigante?

O que vale mais a voz do dono ou dono da voz?

Um exemplo para ilustrar o papo:

Hoje, no programa Pânico, da Jovem Pan, Gleen  afirmou que a Globo quer esconder os vazamentos da Lava Jato.

“Eles [a Globo] sabem que nós temos um arquivo enorme de grande importância, que todos os jornalistas estão pedindo, menos a Globo, porque querem esconder o material.”

Não tenho lá muita certeza para onde iria a conversa. Uma boa parcela de estudantes que cursam Jornalismo sonha trabalhar na Globo.

Não sem razão.

A empresa oferece boas condições de trabalho, salários de razoável pra bom, possibilidades de participar de grandes coberturas (seja onde for o fato, em qualquer parte do planeta), reconhecimento do nome como profissional etc etc, porém…

“E, sempre existe um porém”, como diria Plínio Marcos, a orientação editorial é única e vem da Família Marinho.

É assim que a banda toca…

Quem não seguir a partitura está fora.

Seria uma boa aula, acredito.

Algo me diz que, do jeito que as coisas desandam, é bem provável que eu fosse enquadrado nos rigores da tal Escola Sem Partido.

Mas, valeria à pena.

Os jornalistas Juca Kfouri e José Trajano entrevistam Lula, em Curitiba.

TVT, hoje, às 220 horas.

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