Foto: Divulgação
…
“O corpo de Benito di Paula está sendo velado na manhã desta terça-feira (20), no Theatro Municipal de São Paulo. A cerimônia, aberta ao público, teve início às 9h e se estenderá até as 15h. O sepultamento está previsto para as 17h, no Cemitério Morumby, localizado na zona sul da capital paulista.”
…
Notícia triste, meus caros.
Em meio à turbulência do noticiário político-eleitoral, nem me dei conta do falecimento do músico, compositor, cantor e pianista Benito di Paula, no domingo, dia 18, aos 84 anos.
Não sei se, num momento desses, é lugar-comum lembrar que Benito andava meio esquecido da grande mídia. Sinceramente, não sei…
Se levarmos em consideração o extraordinário sucesso que fez naqueles idos dos anos 70, penso que merecia mais espaço. O artista passou longos períodos longe dos holofotes, e seus trabalhos mais recentes já não alcançavam a repercussão de outrora. Mas Benito continuava na lida, fazendo shows pelo Brasil e embalando o público com canções que atravessaram gerações e que ainda hoje muitos lembram e cantam: “Violão Não Se Empresta a Ninguém” (1972), “Retalhos de Cetim” (1973), “Charlie Brown” (1974), “Mulher Brasileira” (1975), “Do Jeito Que a Vida Quer” (1976), entre outras.
…
Permitam-me uma pitadinha histórica.
Início dos anos 70. Ao lado de Wando, Antônio Carlos & Jocafi, Tom e Dito, Agepê, Gilson de Souza e tantos outros, Benito fez parte da turma dos chamados sambeiros, que dominou as paradas de sucesso de todo o Brasil com um samba de acentuado romantismo que, a seu modo, teve ampla repercussão junto ao grande público. Tudo isso na cidade de São Paulo, acreditem!, que, anos antes, o Poetinha Vinicius de Moraes havia condenado ao declarar que era “o túmulo do samba”.
A crítica especializada torceu o nariz para o som da rapaziada. Mas os discos dos caras vendiam, os shows lotavam e, como outro fenômeno daqueles tempos, espalhavam-se pela capital os tais sambões, casas noturnas especializadas nos hits dos bacanas.
Era o samba romântico, de forte apelo popular, ainda que nem sempre recebesse o reconhecimento da crítica.
…
É possível dizer que os sambeiros dos anos 70 inspiraram os pagodeiros dos anos 90 — e que essa linhagem musical chega até os dias atuais?
Não sei lhes responder objetivamente. Mas que há semelhanças entre os dois momentos, não tenho dúvidas. É bem verdade que muita água rolou debaixo da ponte nesses anos todos. Mais de duas décadas separam os dois movimentos, e o samba passou por muitas transformações nesse intervalo.
Vale lembrar que essa turma — os sambeiros — teve lá sua importância. Ajudou a ampliar o espaço comercial do samba e a abrir caminho para que outros artistas do gênero espalhassem seu canto e sua arte.
…
Benito di Paula tinha um jeito próprio de tocar, cantar e compor.
Fica a saudade do artista.
Que Benito di Paula descanse em paz.
E que a música continue!
…
TRILHA SONORA
Coisa de memória –
Tinha 20 e poucos anos e todos os sonhos do mundo, como só acontece nessa idade. Gostava de andar, aos sábados, pelas ruas do centro da cidade. Visitava as igrejas seculares — a Sé, a Nossa Senhora do Carmo, a São Gonçalo, a São Bento, a São Francisco, a Santo Antônio… Depois das visitas, seguia a caminhada, de olho no movimento do comércio, nas vitrines das lojas, no auê de toda aquela movimentação, típica da cidade onde nasci e me criei. Mas havia um programa que me atraía especialmente: percorrer as casas de discos que se espalhavam pelo centro, dezenas delas. Entrava e ficava futucando as bancadas, examinando os discos que, se tivesse grana, gostaria de comprar. Vez ou outra, encontrava um saldão legal — e até trazia para casa um compacto simples deste ou daquele cantor. O primeiro sucesso de Benito di Paula, “Violão Não Se Empresta a Ninguém”, embalou aqueles idos por longos meses. Fez um sucesso enorme. O tanto que as lojas tocavam aquela música (para atrair novos compradores). Foi assim que ouvi pela primeira visto o Cabeleira Benito di Paulo!
…


O que você acha?