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Carro sem rádio

Faltam alguns minutos para as sete da manhã. Embico o carro na alça de acesso à Via Anchieta, ali no quilômetro 18, pertinho de onde moro em São Bernardo. Quarta pela manhã é o único dia da semana que obrigatoriamente tenho que ir a São Paulo no chamado horário de pico.

Pela fieira sem fim de veículos à minha frente, temo pelo compromisso às oito. Normalmente chego à Vila Mariana com dez, quinze de antecedência. Ainda há tempo para um café aguado na sala dos professores, antes de começar a aula. Mas, a cada semana, percebo que o fluxo do trânsito é mais intenso.

Do jeito como a coisa anda (ou melhor dizendo, não anda) vou ter de sair mais cedo de casa. Cada vez mais cedo…

Pode ser algum acidente logo mais à frente, tento me iludir.

Já estou há 15 minutos nesse enrosco – e ainda não cheguei ao quilômetro 14.

Que pasmaceira, carro sem rádio deixa a gente órfã nessas horas.

Tento me distrair.

Olho pelo retrovisor. Vejo a moça que ocupa o banco de passageiro no carro de trás. Dorme a sono solto. Está de óculos escuros, desses grandões. No estilo.

Como sei que dorme?

Ora pelo pescoço caído e o bocão aberto. Estilosa até para dormir, mas não muito.

Me divirto.

À direita da pista, o cartaz da Ecovias é um acinte. Nem leio o que diz. Mostra um trecho da rodovia provavelmente no trecho da serra: viadutos que se sobrepõem, o verde intacto, o dia bonito com céu claro. E nós aqui nesse anda-e-pára, anda-e-pára, mais pára do que anda.

7h40. Enfim chegamos à divisa com São Paulo.

Surpresa! Me enganei.É um acidente de pequenas proporções envolvendo dois carros que se abalroaram que afunilou a pista. Graças a Deus todos parecem bem. Falam e gesticulam ao celular. Podiam levar os carros para o acostamento.

Bem, de qualquer forma, se me apressar, chego a tempo na Vila.

É certo que já perdi o café aguado. O que no fundo, no fundo até comprova que há males que vêm para o bem…

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