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Fazendo hora em Busto de Arsizio

Foto: Chiesa de San Giovanni Batistta/Blog do RCM/Arquivo

Busto Arsizio?

Nunca ouviu falar?

Nem eu até aquele luzente dia.

Verdade que não consta como parada obrigatória ao turista que se preze e saiba.

Sei que um dia, quase que por acaso, dei com meus costados por lá.

Melhor. Não me arrependo – e penso em voltar (ao menos para tomar o delicioso capucino que servem na modesta vendinha da estação ferroviária, igualmente modesta).

Trata-se de uma simpática comuna italiana, próxima ao aeroporto de Malpensa, nos arredores de Milão, Itália.

Não era parte do roteiro da viagem que previamente planejávamos para os dez dias que imaginávamos flanar entre os belos cenários da Grécia e da costa da Toscana, especialmente Cinque Terre, na bela Itália.

Enfim…

Aconteceu.

O voo São Paulo/Milão saiu no horário (incrível) e (mais incrível ainda) chegou no horário. Nós que erramos nos cálculos e não prevíramos tamanho descompasso entre nossa chegada ao Malpensa e a conexão com o voo para Atenas, primeira parada do tour.

Olaia…

Teríamos um modorrento vazio de seis horas de espera.

Vacilo geral. Mas, nem tanto…

Alguém sugeriu uma escapada rápida de trem até alguma aldeia perto dali. O aeroporto e as ferrovias do Norte da Itália estão conjugadas num vasto terminal de embarques. Seria vapt-vupt, fazer umas horinhas e voltar.

Topamos.

Foi assim, mais ou menos no susto e muito no improviso, que baldeamos, 30 a 40 minutos depois, na encantadora Busto Arsizio, nome estranho para cidadezinhabem maneira. Durante o trajeto, fomos nos informando no guia turístico sobre a aldeia que não é tão aldeia assim. Tem 80 mil habitantes e é polo produtor de tecido de algodão mais importante da Itália, uma referência para toda a Europa. Por um tempo, dizem por lá que levou o codinome de “a Manchester City” da Lombardia.

Sou de imaginar coisas, o leitor que me acompanha sabe bem. Não foi difícil para mim devanear que um paliteiro de chaminés estava a me esperar na próxima parada.

Ledo – e mais um dos meus achismos e enganos.

Ao menos o centrinho “histórico” (já lhes disse que na Itália tudo é “históóóórico”?) se fazia claro e ensolaradamente acolhedor. Adorei o astral do lugar logo de cara. Chegamos na hora da sesta – entre o almoço e o meio da tarde –, o comércio estava chiuso, as ruas com pouquíssimo movimento e o notável jeitão de que, ali, o tempo ainda se mede na base ampulheta.

Gostei.

Visitamos dois santuários, a Chiesa di San Giovanni Battista e a de Santa Maria di Piazza, caminhamos a passos miúdos pelo calçadão a pensar em como seria viver ali (“tranquilidade pura, em pleno verão europeu”) e ainda fizemos uma refeição algo exótica numa das raras lanchonetes abertas naquele horário.

Alguém sugeriu uma visita ao Museu das Tradições Industriais, mas justificamos o adiantado da hora para dispensar.

Voltamos felizes para a estação para fazer alguma hora – e, óbvio, bebericar outro capucino inesquecível.

Foi um belo passeio.

TRILHA SONORA

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