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Há dias que são assim…

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Foto: Arquivo Pessoal

Creio que sim, Anderson, o depoimento de Dom Pepe Mujica ao documentário Human pode e deve ser incluído na sequência de textos que publiquei entre os meses de junho e julho aqui em nosso Blog – e que pessoalmente chamei de A Utopia Nossa de Cada Dia.

Vivemos um momento limite, meu caro.

Uma era um tanto quanto obscura que parece dominada pela discórdia e os radicalismos que, levados às últimas consequências, redundam em tragédias inimagináveis.

Exemplos não faltam, estão aí à solta nos noticiários.

(Veja essa discussão da compra ou não da vacina chinesa… Só revela a mesquinhez de nossos governantes.)

Essa torpe realidade me motivou, claro – e você tem razão – a fazer o resgate da sabedoria de nomes famosos da nossa Literatura, das Artes e do Pensamento Humanístico Contemporâneo para tentar jogar alguma luz ao que chamo de debate público e cidadão.

Dom Pepe, sem dúvida, figura entre os grandes.

Sua fala (que postei ao pé do texto de ontem) é singular.

Minha humilde reverência a um dos grandes luminares da América Latina e do nosso tempo.

Precisamos de bons exemplos, amigo.

Anderson, meu caro, não lembro ao certo a que turma você pertenceu na Universidade onde eu dava aula sobre um jornalismo que, por vezes (e muitas vezes), pondero não mais existir. Aquele do repórter na rua atrás da notícia. A notícia dentro de um contexto que lhe dá o fundamento e a dimensão. A análise dos fatos isenta de outros interesses que não aquele que propõe o bem comum. A verdade factual, suprema matéria-prima. O poder de crítica – e sobretudo o da fiscalização dos poderes públicos.

Ressalto: de todos os poderes públicos, em todos os âmbitos; pois, tais mazelas é que nos induzem fortemente ao atraso e, sobretudo, à falta de justiça social.

Desde dos idos de Franco Montoro como governador de São Paulo, ouço a conversa de que os riscos estão mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Como mudar essa desumana realidade?

Rapaz, com esse discurso, você vai imaginar que me transformei num velhote ranheta e triste.

Então…

Confesso que me é quase impossível fugir ao estereótipo.

Mas, bem que tentar eu tento, cara.

Cético no pensamento, otimista na ação. Gramsci, lembra?

Se há algo em que acredito, ainda, é no potencial de mudança que caracteriza as novas gerações. Inclua-se entre as tais. Você, o Vitão, a Ilenia, a Mariana, a Roberta e outros tantos ex-alunos e amigos que, vez ou outra, lembram-se deste professor-trapalhão e seus ditos e escritos.

A partir de vocês, tenho clareza de que algo de muito bom está acontecendo ainda que hoje não consigamos ver e enxergar, pois os tempos são nebulosos, tristes e marcados pela ignomínia de insanos e perversos.

Há dias que são assim, rapaz.

A História mostra isso.

(Lembra as aulas do prof. Faro, pois então…)

São tempos áridos, de transição, amigo.

Eu, embicando nos 70 (pois é, acredite!), posso me fazer um tanto desalentado, ter os passos arrastados e, vez ou outra, lamentar o caminho que se perdeu e os descalabros que hoje se apresentam.

Você, não, meu caro…

Diria mais – e melhor:

Vocês, não, meus caros…

Vocês estão hoje à frente dos atos e fatos.

São vocês que vão mudar o mundo.

Pra melhor, tenho certeza.

À luta, rapaziada…

Guerra é isso que poderia ser evitado se os homens vivessem em paz. (Millôr)

 

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