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No balanço das horinhas distraídas…

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Fim de ano também é assim… Nas celebrações, em meio ao amigo-secreto, entre um drinque e outro, durante o happy hour, nos corredores de um shopping qualquer, no zapzap, no insta, no face ou mesmo naqueles encontros que de tão improváveis só faltam acontecer – e, por um caso do acaso, eles acontecem…

– Ei, moço, cheguei. Quase não venho. Ando tão atarefada que, por vezes, acredito não ter tempo sequer para viver.

– Percebi. Há tempos não aparece por aqui e, quando chega, já fala em ir embora. Normal para os dias de hoje. É raro alguém que consiga estar inteiro no lugar que está.

– Pois é…

– Acho que a senhorinha entrou numa  roda viva. Acho, né? Como recentemente saí de um desses agonizantes giragiras, e sei o quanto nos desgastam, me preocupa vê-la nessa toada.  A gente perde a noção da gente mesmo.

– Sim. Minhas atribuições só aumentam. Sou muito ativa, mas… Você entende?

– Entendo. A diferença é que sempre fui “sem-noção”. Mas, agora, na vadiagem.

– Bobo. Eu não consigo te acompanhar.

– Vem ser sem-noção comigo? Experimenta, é bom?
– Não é tão fácil assim, não.
– Pior que eu sei bem o que é isso. Num barulho desses, quase não vi a vida passar.
– Não fale assim.

– Vou lhe contar o que aprendi. Quer ouvir?

– Hãhã.

– Temos ciclos na vida. Mais ou menos intensos. Começam e acabam – e sequer nos damos conta deles. Hoje, por vezes, me sinto o ermitão da montanha. Sabe aquele carão de barbas brancas, que se afastou de tudo e de todos, para observar o mundo de forma mais plácida e sem os conflitos e a pressa do dia a dia? É assim que hoje me sinto, mesmo não morando na montanha.

– Eita. Que comparação!

– Você, neste exato instante, está num momento de fazer e acontecer. Está consolidando as conquistas que desenvolveu ao longo da jornada. E você fez um trajeto muito bonito até aqui. Eu, mesmo à distância, acompanhei como pude e admiro a sua jornada. De mulher independente, e forte e liberta. Tem muita estrada a percorrer…

– Assim até me emociono.

– Deixa eu lhe dizer. É natural que alguns dos nossos sonhos fiquem pelo caminho. Mas, se você olhar atentamente ao redor, verá que outros sonhos surgem com as chegadas dos filhos.

– Ah, os filhos! Por que tê-los. Mas, se não tê-los, como sabê-los?

– O Poetinha era um sábio, além de poeta. Por falar nisso, nem sempre o amor romântico, tão decantado por Vinicius, resiste a essa avalanche.  Por vezes, nos esquecemos dele. Sem imaginar que com isso nos esquecemos de nós mesmos.

– É a única coisa que não podemos fazer, não é assim? Acho que já me disse isso.

– Existem várias formas de amor – escolha a que quiser. Escolha todas, se puder. Pois, no amor, como na vida, não existe nota de rodapé.

– Vida é uma só.

– Sim, sim. Não dá pra ensaiar num dia e viver n’outro. O amor, quando se manifesta, trate de vivê-lo intensa e plenamente. Não dá pra tascar um asterisco e ir ver a explicação do que é e como é no pé da página ou lá no fim deste imenso livro chamado existência.

– Quando a gente se dá conta, já era…
– Perfeito, amiga. Vi numa dessas madrugadas insones um documentário sobre Jimmy Hendrix. Morreu de overdose. Ao lado do corpo, um amigo recolheu uma folha com uns rabiscos que começavam assim: “A vida passa rápido demais, num piscar de olhos”. O cara era um gênio, mas não segurou a onda. Se cuida! Que estarei sempre por aqui.

 

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