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Permitam-me o desabafo…

Não se fala em outra coisa na cidade onde moro, São Bernardo do Campo.

Na barbearia. Na padoca. Na roda de amigos no bar. Na portaria do prédio. Na academia. No posto de gasolina…

Onde quer que se vá, ouve-se a indignação sobre a crueldade do crime que tirou a vida da dentista a alguns quarteirões da nossa casa ou do lugar onde trabalhamos e vivemos.

Essas tristes conversas, aliás, são permeadas por expressões que marcam os questionamentos de pessoas que se sentem acuadas, com medo. Sem qualquer perspectiva de solução. Sem esperança.

“Até quando, meu Deus!”

“É preciso por um fim nessas atrocidades.”

“Que mundo é este!”

Vai por ai o nosso desalento…

Sei, sei a violência urbana não é privilégio da região do Grande ABC.

Está em toda parte – e mostra nossa miséria social.

Não faz muito tempo, soubemos do assassinato da garota em plena Avenida Higienópolis (centro nobre de São Paulo) por que, ato impensado, tentou agarrar-se à sua mochila, repleta de desenhos e sonhos, sem objetos de qualquer valor, que só a ela interessavam.

Mais recentemente, outro episódio estúpido: a morte do estudante de Rádio/TV no portão de casa, também por roubo esdrúxulo, na Zona Norte paulistana.

Fatos esses que, por inexplicáveis de tão irracionais, comoveram a sociedade em meio a outras tantas ocorrências violentas que nos assombram diariamente.
Não posso – e não devo – dar um tom político/partidário a essas maltraçadas.

Não é culpa deste ou daquele Poder, desta ou daquela autoridade – mas, é também e principalmente.

Todos estamos envolvidos até o último fio de cabelo nessa tragédia cotidiana.

Sei não que se deve generalizar, mas permitam-me o desabafo: o brasileiro acostumou-se à falta de respeito ampla, geral e irrestrita – seja em seus interrelacionamentos, seja na forma com que trata e é tratado pelas instituições públicas e privadas, seja como negocia (e, muitas vezes, se deslumbra) com a tal busca pela felicidade.

Acabamos assim por coisificar a vida. Esperando paralisados pela notícia da próxima inexplicável, injustificável, intolerável desgraça que, esperamos, aconteça bem longe de nós…

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