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Sem Fidel. E agora?

Rabisco o óbvio no bloco de anotações.

Acabo de receber a notícia – e não me surpreendo. Mesmo assim não consigo pensar em nada além do óbvio na vã tentativa de achar um caminho para a crônica de hoje:

“Morre o último revolucionário”.

“É o derradeiro adeus ao século 20, aquele tal de tantos sonhos e utopias”.

A frase de Che, inclusive:

“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”.

Outra frase. Esta eu a ouvi do escritor Fernando de Moraes. Alguém, entre os repórteres, lhe pediu se ainda acreditava em Cuba depois de tantos e tantos anos e do sofrimento que o país enfrentava, após o fim da União Soviética. Moraes declamou vagarosamente uma frase que leu em um outdoor que foi colocado numa praça, em Havana, onde o papa João Paulo II esteve em 1998:

“No mundo existem 200 milhões de crianças sem moradia que, nesta noite, vão dormir na rua. Nenhuma delas em Cuba”.

(Se não era assim, era mais ou menos assim – e certamente este o sentido que queria dizer).

Quando fui a Cuba, em outubro de 2011, tentei encontrar o tal outdoor e a mensagem. Não consegui, mas havia outros e outros, todos saudando os feitos da Revolução.

Na volta, escrevi alguns textos sobre minha experiência por lá. Se quiserem consultá-los, estão aqui mesmo no Blog. Chamam-se “Brevíssimas em Cuba” e foram postados entre 17 e 22 de outubro daquele mesmo ano.

Confesso que não têm lá muito a ver com o dia de hoje. Falam da minha grande simpatia pela Ilha, pela cultura e pelo acolhedor povo cubano.

Nada escrevi sobre Fidel embora a presença dele, de Che e da Revolução fossem permanentes e visíveis a cada passo.

O escritor francês Jean Paul Sartre foi um dos primeiros a visitar Cuba após a posse de Fidel e afirmou na ocasião:

"Ele está por toda ilha".

Ou seja, era assim – e, desconfio, vai continuar assim por algumas gerações. Com ou sem Fidel, um personagem que mudou a história do mundo.

Agora – e ainda que tardiamente – é a nossa vez de mudarmos a história do povo cubano, com respeito às suas tradições, o fim do embargo e total fraternidade.

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