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Tempos outros, presidenciáveis

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Acompanho o noticiário deste sábado – e vejo a oficialização das diversas candidaturas para a Presidência da República.

Nenhuma novidade.

Lula ainda é o nome forte das esquerdas unidas – e foi hoje oficializado pelo Partido dos Trabalhadores. Manuela, Boulos e até mesmo o PDT de Ciro Gomes aparecem como alternativas bem razoáveis a um eventual (e muito provável) veto ao nome do ex-presidente.

Gosto do nome do Haddad, mas não creio que tenha chance de vitória.

Entendo as escaramuças entre o PT e Ciro Gomes como perfeitamente compreensível à luz do que se entende por jogo político.

Ressalto, porém: a junção dessas forças é imprescindível.

(…)

Aliás, há claras evidências de que o Sistemão que se apossou do Poder na mão grande do Golpe e hoje manda no Brasil quer ver Lula fora da corrida eleitoral.

Não se estilhaçou a nossa tenra democracia, com amplo apoio dos setores conservadores da sociedade, da mídia subserviente e dos senhores de toga, para um mandato-tampão – e ainda o que aí está e é dos mais chinfrins.

Correr o risco de o Sapo Barbudo retornar ao Palácio do Planalto consagrado pelas urnas – este risco, os tais senhores não estão mais dispostos a correr.

Até as pedras sabem…

(…)

Tinha coisa melhor a fazer – e não me dei ao trabalho de assistir à sabatina que o candidato Jair Bolsonaro se submeteu na noite de ontem aos pimpões jornalistas da Globo News.

O assunto bombou nas redes sociais.

Alguns amigos e ex-alunos me encaminharam mensagens de espanto e surpresa (muitos, de terror) com o desempenho do homem em pleno território da Família Marinho.

Me contam – e depois conferi na net – que o candidato causou a maior saia-justa entre os entrevistadores ao destacar que a própria Globo apoiou o Golpe de 64 e reiterou o apoio, anos mais tarde, em editorial no jornal O Globo, assinado pelo próprio Roberto Marinho.

Terminou a fala com o seguinte questionamento à bancada:

“O senhor Roberto Marinho foi um democrata ou um ditador?”

(…)

Desconfio que foi, neste momento. que meu celular começou a vibrar com mensagens que chegavam – e me pediam alguma explicação.

“Ele é mais maluco do que eu imaginava.”

“Os jornalistas estão sem reação”.

“Vixi, se queimou com a Globo”.

“Agora, sim, a Globo vai atrás dos podres”.

E por aí seguiram…

(…)

Desliguei o celular. Profilaxia necessária para se estar inteiro no local onde se está e, inteiro, curtir o que se faz ali.

Não havia como eu sair de onde estava para me plantar diante da TV e ver no que resultaria toda aquela pantomima.

Banco o sincerão. Também não me faria bem assistir a tal espetáculo.

(…)

Soube depois, ao ligar a engenhoca, que a jornalista e mediadora Miriam Leitão se viu obrigada a ler um editorial da Globo, justificando o injustificável.

“O candidato Bolsonaro esqueceu-se, porém, de dizer que, em 30 de agosto de 2013, O Globo publicou um editorial em que reconheceu que o apoio ao golpe de 64 foi um erro”.

*veja o vídeo abaixo*

(…)

Juro. São, nessas horas, que sinto uma falta danada dos amigos da velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor.

Creio que nenhum deles chegou a tomar cafezinho com senadores no Congresso ou mesmo chegou a gozar de laços digamos familiares e de amizade com nobres autoridades, mas era uma turma braba quando o assunto era integridade jornalística. E a luta pela democracia.

Algo me disse que se o Escova, o velho repórter e amigo que se escafedeu do Brasil assim que derrubaram a Dilma, estivesse presente, ele diria com sua habitual objetividade:

“Perfeito, resolvido. Daqui a 50 anos a Globo pede perdão pelos equívocos e trapaças jornalísticas que hoje comete – e não se fala mais nisso.”

(…)

Quanto ao Bolsonaro, meus caros.

Ele e os seus sabem que a Globo não irá apoiá-lo. Está entre Alckmin e Meirelles a preferência dos  Marinhos e seus asseclas.

Por isso, tratou de fustigar o mostro na própria arena que montou.

Chumbo trocado…

Sabia que nas redes sociais, tal provocação seria um tsunami – e, olhem, não subestimem o inimigo.

Veja o exemplo do Sr. Trump nos Estados Unidos…

(…)

Temo que, nessas eleições, o embate maior se dará mesmo entre a TV e as redes sociais. Qual plataforma se mostrará mais decisiva, mais dominadora, na hora do voto?

Vivemos outros tempos, meus caros.

  • São Paulo – 04 08 2018 – Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores na casa de Portugal no bairro da Liberdade. Foto: Paulo Pinto
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