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Um amor infinito…

Há amores que não nasceram para ser eternos.

Valem o tempo que durar – e enquanto durar.

Há que se ter coragem para vivê-los com todos os riscos, em toda a intensidade.

Giovana, uma ainda jovem senhora, se surpreende ao se deparar com tais pensamentos.

Está ao volante do carro. Precisa focar no movimento dos veículos ao redor.

É que o rádio, desavisadamente, toca uma antiga canção – e os versos, bem, os versos lhe trazem lembranças sublimes:

Pra você, eu guardei

Um amor infinito…

Doce melodia.

Como é mesmo o nome do cantor?

Pergunta-se, mas a resposta é o que menos importa.

– Que história!

Repassa os fatos para si mesmo.

Quase não admite que viveu – e como viveu! – tudo aquilo.

Inesquecível!

Ele dizia que a amava acima de tudo. Tinha um jeito estranho, possessivo, exagerado mesmo.

Giovana fingiu acreditar.

Ou será que acreditou mesmo?

É bem possível.

Mas, não via futuro naquela história.

“Só se vive uma vez.”

Alguém lhe disse, sem saber exatamente as consequências daquela inequívoca verdade.

Vinte e poucos anos, só se tem uma vez gritou lá dentro a voz da própria inconsciência.

E assim elazinha se deixou levar.

Anos, meses.

Não sabe – e, vamos lá, não quer precisar.

Não se arrepende.

Lembra dias tórridos. De riso frouxo, carinhos mil, flores e amores e a inevitável desilusão.

Não devia terminar.

Que loucura aquela escapada para o Uruguai.

Foram parar em Punta Del Este, no inverno.

Andavam às turras.

A viagem foi uma espécie de tira-teima. Vai ou racha. Tudo ou nada.

Amaram-se como nunca.

Voltaram ao Brasil como sempre.

Dúvidas, aflições, passos e descompassos.

Não sabiam como lidar com o todo aquele sentimento.

Com o nada sempre igual da vida real.

Depois de tantos e tantos anos, ainda não consegue descrever aquele fim de noite. A dimensão do que sentiu no instante em que os músicos uruguaios do elegante Piano Bar entoaram os acordes da canção que ouve agora no rádio do carro, tantos anos depois:

Eu não sei nem por quê

Fui gostar tanto assim…

Ah, se eu fosse você,

eu voltava pra mim

(Descobriu depois: tocaram de encomenda, um pedido daquele malandro. Sedutor, e inveterado romântico que dizia lhe amar.)

Tenta disfarçar a lágrima e a vontade de reviver aquela magia.

– Como é mesmo o nome do cantor?

Indiferente e sem noção, o locutor anuncia e lhe responde:

O cantor e compositor Sílvio César, autor do clássico “Pra Você”, completou 80 anos neste mês de agosto.

 

Foto: Jô Rabelo
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1 Response
  • VERONICA PATRICIA ARAVENA CORTES
    22, agosto, 2019

    Que história de amor!

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