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STF, eleições e democracia

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Presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou que a Corte atravessa “um período difícil de sua história”. Foto: Rosinei Silva/STF (15/09/2026)

Meus caros,

Devagar e sempre que venho de longe, com passo miúdo e olhar algo fatigado dos sonhos que ficaram pelo caminho.

Tentarei me fazer entender. Mas, desconfio, não será tarefa fácil.

Sou um homem simples, do bairro operário do Cambuci, e tudo o que sei – e que aqui alinhavo em escrevinhações – são impressões do velho repórter que fui no tempo em que “o telefone era preto e a geladeira era branca”, como ensinou o mestre Rubem Braga em célebre crônica.

As nuances da vida, o certo e o errado que se confundem, ficam por conta da modernidade que nos apressa e aflige…

Pois bem.

Vamos aos atos e aos fatos.

Propositalmente me ausentei do Blog ontem para acompanhar, na medida do possível, a tal sessão “histórica” do STF. Começou lá pelas 10 da manhã e terminou, sem nada julgar, no início da noite, com o pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Não foi a melhor das experiências, posso lhes dizer.

Quem embarcou, como eu, nessa claudicante jornada, creio, há de me dar razão.

Que desalento ver senhores togados da mais alta patente da Justiça no Brasil a vociferar impropérios uns contra outros, outros contra um.

Nitidamente o pano de fundo das altercações é a ameaça às eleições – inclusive e principalmente, a de âmbito presidencial – que estão prestes a acontecer.

Resumo toda a notável encenação nessa simplória constatação que lhe fiz acima e continuo agora:

Mais do que a reputação de xandões, gilmares, dinos, fuxes, tofollis, kassios, ungidos, mugidos e similares, aposta-se em como impregnar ou suspender ou memo alterar decisivamente o resultado da votação de outubro.

Um novo tipo de golpe?

Haverá influência e interesses estrangeiros nesse convescote de escândalos, forjados ou não?

Cabe um lembrete dos antecedentes da tragicomédia que hoje vivemos.

Em linhas gerais, a mídia e a opinião pública saudaram o STF como o bastião dos valores democráticos por ocasião do esculhambo que foi a frustrada tentativa do Golpe em 8/1.

Deu-se ao Supremo ares de credibilidade e respeito como defensor dos direitos civis e cidadãos.

Quem venceu e garantiu-se legitimamente no Poder, aplaudiu.

Quem perdeu e acabou dura e corretamente sancionado pelo ato inglório, não perdoou e acalentou a vingança no momento mais adequado e propício: o agora, semanas antes do pleito definidor de quem governará o país nos próximos quatro anos.

Tudo calculado minuciosamente?

Talvez, sim. Desde abril, maio, ouve-se falar das ligações do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o fraudolento Banco Master. Por que só agora o julgamento e a exposição à execração publica?

De minha parte, nunca me apeguei aos odores de santidade do STF ou mesmo de qualquer outra instituição reguladora da ordem pública. Respeito-as como pilares de uma sociedade que se pretende democrática, mas entendo que são formadas por homens e mulheres, tão falíveis e impregnadas de interesses nem sempre, digamos, republicanos.

Não os vejo como heróis redentores e salvadores. Como um Saulo que a Luz Divina venha surpreendê-los na Estrada de Damasco.

Deixo a passagem para o texto biblíco.

No mais, parece-me cada vez mais impossível que Saulo se transforme em Paulo.

Não combina com “o novo normal”.

Perdoem-me a metáfora numa hora dessas. Nem sei se é cabível.

Sei que o cenário é triste. Mais do que isso, algo devastador.

Mas, creiam, e temo: pode piorar.

TRILHA SONORA

Registre-se: blusas amarelas eram símbolo das Diretas-Já naqueles idos em que se lutava pela redemocratização do Brasil e o sonho sonhado e coletivo era possível.

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