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“Meu ofício é cantar”

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Foto: Maria Bethânia/ Divulgação

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Pausa nas coisas tantas do Planeta Bola.

Vou lhes contar um segredo.

Mesmo não tendo cá comigo qualquer talento para a música, eu lhes digo que tenho algo em comum com o genial Caetano Veloso.

Verdade.

Tanto a irmão do baiano, a Maria Bethânia, como a minha mana Doroti fazem aniversário neste 18 de junho.

Como a Dorô prefere viver longe dos palcos e dos holofotes, registro aqui a efeméride, dou-lhe os parabéns de toda a família Martino e agregados – saúde, prosperidade e paz, mana! – e sigo com o post/crônica falando de Bethânia…

Sim!

Maria Bethânia Viana Telles Velloso, a diva, completa hoje 80 anos.

(Perdoem a indiscrição, pois não se comenta em voz alta a idade das moças, mas penso eu vale o deslize, a reverência e a comemoração.)

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Vida e arte se misturam quando se trata de Bethânia.

Ela está entre as grandes cantoras da nossa música popular. Dalva de Oliveira, Ângela Maria, entre outras poucas e tamanhas.

Ombreia-se entre as melhores de sua luminosa geração – Elis, Gal, Nana, Clara.

Também se põe ao lado de Nara Leão ao forçar que a MPB saísse do gueto, com um estilo próprio e inconfundível.

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Faz parte da história da nossa música popular que foi ela quem disse ao mano Caetano ‘para ouvir aquela canção do Roberto’ – e, de alguma forma, inspirou o Tropicalismo e todas as revoluções sonoras que se ouviu desde então [até os anos 90, pelo menos].

Vale sempre ressaltar a originalidade desta baiana de Santo Amaro da Purificação como intérprete. Seja pela densidade do repertório, seja pela versatilidade de atravessar gêneros e ritmos musicais, seja pelo fascínio que espalha dentro e fora dos palcos.

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No início dos anos 70, reinventou a maneira de uma cantora se apresentar. Seus shows eram elaborados, flertavam com a dramaturgia, incluíam falas e poesias de Fernando Pessoa.

Foi um sucesso extraordinário.

Um dado que considero relevante: nunca se atrelou às mídias de massa, nem fez qualquer concessão à indústria fonográfica. Sempre foi única e inconfundível, independente até mesmo dos denominados ‘movimentos musicais’ que pipocavam àquela época.

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Desconfio que já lhes contei isso aqui no Blog, mas não custa repetir.

Certa vez, em uma entrevista coletiva em meados dos anos 80, eu perguntei a que “tribo” ela pertencia?

(Ô perguntinha tola, meu Deus!)

Bethânia, generosa e com largo e cativante sorriso, respondeu:

“A todas, e a nenhuma. Meu ofício é cantar”.

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TRILHA SONORA

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