Foto: Carlos Monforte/Divulgação/TV Globo
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Um registro de pesar.
O falecimento do jornalista Carlos Monforte ontem em Brasília, aos 77 anos.
Monforte foi um dos primeiros âncoras do telejornalismo brasileiro (apesar de detestar essa denominação que vem do jornalismo americano – anchor; dizia que não fazia sentido aplicá-la aos nossos telejornais), Comandou por longos anos o Jornal da Globo, sempre com equilíbrio e correção.
Acreditem, amigos leitores, que passa por Carlos Monforte o maior “furo” noticioso da Gazeta do Ipiranga.
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Como assim?
Calma que tento explicar
Vai longe nossa conversa hoje
Vamos começar do começo.
Eu era o editor da Gazetinha. Por obra do Acaso, com alguma sorte, direi eu, fui procurado por uma colega jornalista dos tempos ECA/USP, a Maria Tereza, que, na ocasião, comandava uma Agência de Notícias, em Brasília, responsável por ‘comercializar’ as colunas de inúmeros jornalistas famosos, digamos assim, para jornais de todo o Brasil.
Falamos ao telefone – e conseguimos ‘fechar’ um contrato para aquisição de 5 colunistas para ampliar em âmbito nacional o noticiário regional que produzíamos em GI. Fernando Sabino (crônica), Reginaldo Leme (F-1) e Carlos Monforte (política) estavam entre os, digamos, novos contratados. (Que memória ruim, não consigo lembrar quais eram os outros dois.)
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Saibam o que aconteceu…
A Gazeta do Ipiranga foi o primeiro jornal a divulgar a versão detalhada de Monforte para o episódio que culminou com a nomeação de Fernando Henrique Cardoso para suceder Rubem Ricupero como ministro da Fazenda e “paizão” do Plano Real.
Lembro rapidamente os fatos:
Ricupero pediu demissão após uma desatrosa entrevista ao jornalista Carlos Monforte, então na TV Globo.
Antes do telejornal começar, ministro e jornalista conversaram informalmente.
O então ministro foi de uma sinceridade demolidora:
“No governo é assim, a gente divulga as coisas boas e escondem as que são ruins”.
Não me perguntem como. Os microfones estavam ligados em uma frequência UHF e o áudio foi captado e vazado por alguns telespectadores, o que deu origem a ampla repercussão na opinião pública.
Resultado: Ricupero saiu do Governo e o Plano Real caiu no colo de FHC, desde então postulante à cadeira de presidente da República.
Mudou o rumo da História Contemporânea do Brasil.
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Onde entra a Gazetinha nesse embrulho?
Pois então…
A polêmica entrevista aconteceu na manhã de 1° de setembro de 1994.
Nosso jornal circulava às sextas-feiras.
Os demais jornais que contratavam os serviços da Agência usavam o material para as encorpadas edições de domingo.
Óbvio que Monforte só se pronunciou sobre o episódio do Ricupero, dias depois, na própria coluna.
Quando a recebemos, tratamos de publicá-la com destaque – e chamada na primeira página.
Ou seja, fomos os primeiros a publicar a versão de Monforte sobre o episódio, com dois dias de antecedência aos demais veículos.
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Lembro que, na manhã daquela sexta-feira, recebi alguns telefonemas de jornalistas de renomadas publicações brasileiras parabenizando o jornal pelo “furo” de reportagem e tentando se informar como conseguiriam autorização para também publicar a coluna de Monforte.
Ora… Ora…
Não me recordo o que disse (já disse que tenho péssima memória), sei que agradeci aos cumprimentos que recebi mas…, se bem me conheço, devo ter botado alguma banca para os coleguinhas.
Mas, a bem da verdade verdadeira, foi tudo obra de um imponderável Sr. chamado Acaso.
Conta-se com sorte na vida e nos amores. E também no jornalismo.
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