Foto: Zuenir Ventura/Reprodução do Programa Roda Viva (2018)
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“É claro que o conceito de esquerda mudou, dos anos de 1960 para hoje. A referência era na verdade a revolução, a crença na revolução. Todo mundo acreditava na possibilidade de você transformar o mundo de uma hora para outra. Essa utopia, essa ilusão, realmente isso terminou. Você hoje não acredita mais que possa fazer a transformação como se acreditava naquela época. Agora, ao mesmo tempo, se ser de esquerda significa você querer a transformação social, você lutar contra as injustiças, contra essas distâncias indecentes que existem no Brasil, é evidente que contínuo de esquerda. Não tenho a menor dúvida. O que não tem mais é aquele maniqueísmo da época – e que até facilitava muito a vida. Quem era ruim estava do lado de lá, quem era bom, do nosso lado. Então, essa divisão, essa dicotomia, tudo aquilo que marcava aquela época, isso realmente terminou. As coisas se misturaram muito.”
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Recolho a definição entre direita e esquerda (tão em voga em nossos dias) do último livro que li, ano passado, do jornalista e escritor Zuenir Ventura, que ontem faleceu no Rio de Janeiro, aos 95 anos.
O trecho – que escolhi para registro dessa homenagem póstuma – está na abertura da segunda edição do livro “Sobre o Tempo – Luis Fernando Veríssimo/Zuenir Ventura, com Arthur Dapieve”, lançado em 2020, pela Editora Agir, como parte da série Conversa Afiada.
Em síntese, é um saboroso bate-papo entre os dois hoje saudosos pilares do nosso jornalismo e da nossa literatura
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Não preciso dizer, mas digo que Zuenir foi e continuará sendo uma das referências da minha formação como jornalista e cidadão. Todos sabem, mas é sempre bom lembrar: entre outros tantos títulos, ele é autor do monumental “1968, O ano que não terminou…”, um sólido marco entre os livrorreportagens brasileiros.
Outra frase de Zuenir que guardo com carinho:
“Tempo bom é sempre tempo de sol. Tempo frio não é tempo bom, não”.
Tento. Mas, não consigo fugir do lugar comum:
Vai fazer enorme falta!
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