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A tessitura da cidadania

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Foto: Arquivo Pessoal

“Ser livre significa ao mesmo tempo não estar sujeito às necessidades da vida nem ao comando de outro e também não comandar. Não significa domínio, mas também não significa submissão.”

Leio com atraso (mas, renovado interesse) o livro que recebi, tempos atrás como cortesia, da Editora Porto de Ideias  – e que permaneceu intocado desde então.

Chama-se:

Autoritarismo Político e Mídia Impressa –

Linhas que compõem a tessitura da cidadania no Brasil. 1964-84.

Eu o perdi de vista, por lamentável descuido, num canto da estante em meio a uma pilha de livros que já havia lido.

A autoria é da professora Carla Reis Longhi.

Trata-se, outrossim, da publicação da tese de doutorado da historiadora formada pela PUC/SP e que, no início da década (data da edição), era professora do curso de pós Graduação da UNIP e lecionava também na Escola de Belas Artes.

Um lamentável descuido, como já disse, que tratei de reparar nesses dias de isolamento social.

Ao folheá-lo, encontrei uma definição de comunidade que achei oportuna – e grifei para usá-la em algum texto futuro.

Mas, já a antecipo aqui:

“Comunidade não é um mero estar-junto num território, como numa aldeia, num bairro ou num gueto, e sim um compartilhamento (ou um troca), relativo a uma tarefa, um múnus, implícito na obrigação originária que se tem para com o Outro.”

Me parece que esse olhar para o Outro (assim mesmo em maiúscula), esse generoso e fraterno olhar para o Outro é a grande ausência/perda dessas primeiras décadas de um século que por tudo, se imaginava, tão promissor.

Enfim…

É só uma impressão.

Sinceramente, não imaginei escrever sobre o entrecho do livro aqui no Blog.

Se bem que essa interface entre os fatos da História e os tais processos na área da Comunicação (especialmente no âmbito do jornalismo) sempre foi um dos temas mais intrigantes para este humilde escrevinhador. Seja nas redações por onde andei, seja nas universidades em que lecionei.

Uma pauta que sempre gerou infindáveis discussões.

História e Comunicação. Comunicação e História. Tudo a ver uma com a outra, a outra com a uma.

Cuido que, na hora do vamos ver, o protagonismo de ambas se equivale.

Andam juntas – e não é de hoje.

Voltemos às páginas do livro – e minha pensata é a seguinte:

Diria que até o início deste século (anos 90, vá lá) foi assim:

A mídia impressa batia o bumbo e determinava (ou supunha determinar) o ritmo, a dança e as escolhas políticas da sociedade.

Com isso, não foram poucas as vezes que jornalões e revistas insinuaram os novos/velhos capítulos da História.

O recorte cronológico, feito pela autora, se atém ao regime militar (delimitado no título de 1964 a 1984). No seu abalizado entender, representa “o ápice de um procedimento social que sofrerá mudanças expressivas nas décadas posteriores”.

Mudanças que já vinham ocorrendo, registre-se.

E que se confirmaram amplamente.

Senão, vejamos:

Sai o jornalismo impresso – e vigoram novas plataformas de informação.

Vale o exemplo (por minha conta e risco) que bem ilustra essas mudanças entre nós:

1 – a eleição de Collor presidente, com o amplo apoio da televisão (89/90).

2 – a eleição de Bolsonaro com forte influência das mídias digitais (2018).

Outra abordagem que faz a professora diz respeito aos famigerados sistemas de informação como instrumento de solidificação de regimes autoritários. Especialmente quando inclui ações que visam fragilizar a cidadania e extinguir a liberdade de pensamento e expressão.

Para investigar este quesito, a obra parte da proposta encampada pela ditadura militar de então que organizou seu aparato repressivo a partir de articulados órgãos de informação (o SNI) e de repressão.

Inicialmente, os jornais de então compactuam (ou omitem-se?) com tal calamidade.

Só depois caem as fichas da afronta ao cerne da democracia- e, a partir de então, partem para a oposição e denúncia.

Triste constatação.

Qualquer semelhança com os fatos atuais (históricos e comunicacionais) não é, nem nunca será, mera coincidência.

Aliás, leiam esta notícia recente:

Ação sigilosa do governo mira professores e policiais antifascistas

Tem movimentado as discussões nos bastidores planaltinos.

Ah, sim, agravadas pelo descontrole da pandemia – o que é ainda mais devastador.

Caetano Veloso faz live no dia 7 de agosto. Na data em que completa 78 anos.

Nesta semana, ele falou ao The Guardian:

“Estamos vivendo um pesadelo absoluto.”

Leia mais: AQUI

 

 

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