Foto: Reprodução da contracapa do disco África Brasil (1976)
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Um pitaco histórico, e pessoal:
Quando me perguntam, digo logo:
Não foi a audição de “Chega de Saudade” com o anúncio da bossa-nova na batida sincopada do violão e a voz mansa de João Gilberto que mudou a minha vida e talhou o meu gosto musical.
Achei um incrível barato aquele cantor franzino, de voz anasalada e suave interpretação, fazer um sucesso inesperado em meio aos vozeirões que imperavam nas melodias de então.
Marcante, sem dúvida.
Inclusive escrevi sobre um longo artigo sobre o tema há bons alguns anos.
Clique AQUI para ler: Tucanei a Bossa Nova.
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Permitam-me lhes dizer.
Para este humilde escriba, o marco transformador de tudo e de todas coisas visíveis e invisíveis foi ouvir o então Jorge Ben nas ondas do rádio lá de casa. A vida através da música. A vida para além da corriqueira vidinha de garoto suburbano na levada e a poesia singela criada e implementada pelo carioca, de Rio Comprido, Jorge Lima de Menezes, então com 24 anos.
Assim do nada, fez-se a luz e a sonoridade em mim.
“Chove Chuva”, “Mas Que Nada” e “Por Causa de Você, Menina”, os três primeiros e definitivos hits, moldaram a pedra angular de toda minha existência musical.
Exagero?
Desconfio que não. Tinha doze pra treze anos, e acreditem ainda hoje – seis décadas depois – ainda me sinto muito assim ao ouvir o som urbano_suburbano_rural e interplanetário do hoje octogenáro Ben Jor.
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Isto posto, passamos ao assunto do dia.
Qual a minha canção preferida do autor/compositor e alquimista sonoro?
Não sei…
Gosto de todas.
Mas, pessoalmente, entendo que a estonteante A História de Jorge funciona como uma síntese a impulsionar toda a jornada criativa benjorniana.
Explico.
Num ritmo frenético e contagiante, a letra fala do menino que tinha um amigo que era um anjo e se chamava Jorge – e, por ser um anjo e se chamar Jorge, na imaginação do garoto, esse amigo voava, fazendo altas acrobacias no céu.
Por isso, singela e ludicamente, o menino se sentia “o escolhido”.
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Ninguém acreditava na história mágica.
Mas, o menino insistia em sua fábula.
Até que um dia, Jorge voou para todo mundo ver.
E o menino feliz, feliz, cantou para todo mundo ouvir:
“Voa, Jorge, voa. Voa Jorge, voa. Jorge voa…”
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Penso que já lhes escrevi sobre a canção.
Depois de mais de 5 mil posts/crônicas me é inevitável retomar alguns temas.
Na verdade, há um bom motivo para que hoje eu o faça.
A História de Jorge completa 50 anos.
Melhor dizendo, o álbum “África Brasil”, em que a canção originalmente se insere, completa meio século neste um tanto alucinado ano de 2026.
Merece registro, não?
Ouçam e continuem lendo o texto…
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ÁFRICA BRASIL
Sou suspeito para falar, mas creio que aquele início dos anos 70 foi o momento mais iluminado da jornada do incrível artista.
Depois de álbuns maravilhosos como “Ben” (1972), “Dez Anos Depois…” (1973), “A Tábua de Esmeralda” (1974), o épico encontro com Gilberto Gil no duplo “Gil & Jorge – Ogum Xangô” (1975), “Solta o Pavão” (1975), surge “África Brasil” com o seguinte repertório:
1 . Ponta De Lança Africano (Umbabarauma)
2 . Hermes Trismegisto Escreveu
3 . O Filósofo
4 . Meus Filhos, Meu Tesouro
5 . O Plebeu
6 . Taj Mahal
7 . Xica Da Silva
8 . A História De Jorge
9 . Camisa 10 Da Gávea
10 . Cavaleiro Do Cavalo Imaculado
11 . Zumbi (África-Brasil)
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Divirtam-se!
Que faz bem à alma e ao coração!
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TRILHA SONORA
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