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O Menino, o Mar e o Mistério

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Foto: Jô Rabelo

Penso que seja uma das mais belas histórias que ouvi (ainda garoto nas aulas de Religião do Irmão Fidélis no Colégio Marista Nossa Senhora da Glória)…

Vez ou outra, nas missas do Frei Sebastião, aqui em São Bernardo, ele retoma a passagem – e, vou lhes confessar, sempre me emociona.

Não tenho as pausas dramáticas do bom prosador que era o Irmão Fidélis, menos ainda a magnificência do Frei Sebastião, mas… Permitam-me, caros e amáveis leitores, registrá-la aqui no Blog neste 28 de agosto, data dedicada a Santo Agostinho, doutor da Igreja Católica e fundador da Ordem dos Agostinianos.

A princípio, já lhes deixo a essência do relato: uma lição de fé e, mais do que outra coisa, o quanto somos limitados para entender a dimensão do Divino.

A história em si é a seguinte:

Caminhava Agostinho pela praia.

Isolara-se de outras companhias para melhor e mais profundamente dedicar-se às reflexões teológicas que foram, por fim, base de todos os escritos teológicos e santos que produziu ao longo da vida.

Agostinho tentava que tentava entender racionalmente a existência de três Pessoas em um único Deus – o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Nesse inspirado meditar, entremeava orações e preces. Que o Senhor lhe desse uma brevíssima luz, um atalho para a compreensão do Mistério.

De repente, Agostinho avista um menino a cavar um buraco na areia e, num constante ir_e_vir, encher a concha que tinha em mãos com água do mar e despejá-la no ali, no buraco.

O Santo foi tomado por uma intrigante curiosidade.

Aproximou-se do menino, acompanhou seus movimentos em silêncio. Até que não se conteve – e perguntou:

“Filho, o que você está fazendo?”.

Ouviu então uma resposta, entre o singelo e o fantástico:

“Ora, senhor, estou trazendo o mar para dentro do buraco que fiz na areia”.

“Menino, entenda que isso é impossível”, ponderou Agostinho.

A resposta foi esclarecedora:

É mais fácil colocar toda a água do mar neste buraco do que a mente humana compreender o mistério de Deus.

Agostinho ficou atônito. Fechou os olhos em oração.

Quando voltou a si, recuperando a serenidade, o Menino não mais estava ali.

TRILHA SONORA

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