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Canetinhas e lambe-lambes

Escrevi recentemente sobre as antigas redações.

Do toctoctoc da máquina de escrever.

Do entra e sai dos repórteres e fotógrafos – também conhecidos por ‘canetinhas’ e ‘lambe-lambes’.

Das conversas em voz alta, em tom de stress – aliás, e a palavra nem existia; dizia-se em tom “acalorado”, e bota “acalorado” nisso.

Do alívio das páginas descendo para a gráfica.

Do riso frouxo na alta madrugada quando se esperava os jornais do dia na boca da impressora – era um belo alvará de soltura para os chegados a uma trampolinagem, se é que me entendem.

Um parceirão daqueles idos tempo me encontrou – e, simpático ao texto, referendou o que escrevi mais para nostálgico.

— É isso mesmo, lamentou.

— Não se fazem mais redações como as de então.

Ele ainda está na ativa, por isso não vou identificá-lo. Teme ser considerado um dinossauro pela rapaziada com quem trabalha e um obsoleto pelo dono do jornal.

— Hoje é tudo muito técnico, tudo padronizado. Textos curtos, óbvios. Parecem feitos por robôs.

Não tive como lhes explicar que meu texto não tinha essa pegada de ‘melhor’ ou ‘pior’.

Ou teve?

Achei mais propício ser simpático e concordar com ele.

— Você tem razão.

Há que se entender o Almeidinha.

(Ops! Acho que entreguei o meu camarada.)

É um cara do bem. Sempre cuidadoso com a apuração da notícia; sempre elegante a combinar ternos escuros, camisa branca e gravatas fininhas pretas ou quase-pretas.

Ele anda na bronca com o pessoal da Redação, onde trabalha. Especialmente os mais jovens.

Até pouco tempo atrás, a meninada o chamava de Nôno por causa do traje formal.

Agora, falam que “o Vôzinho embalou o visu” dos caras do CQC.

— Assim não dá, diz ele tirando os óculos escuros.

Por isso, dou o devido desconto aos queixumes.

Reconheço que deve ter lá seus encantos essa coisa maluca de andar em cima da informação em tempo real. Na verdade, não se mede mais os prazos de ‘fechamentos’ por dias, horas – e, sim, por minutos, instantes…

Parece instigante.

Mesmo assim, preferi não perder o amigo.

FOTO NO BLOG: Jô Rabelo

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