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Evaldo Gouveia

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Foto: Divulgação

Inevitável não lembrar o saudoso Nasci, guru-mor da rapaziada na velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor, ao ler sobre a morte do compositor Evaldo Gouveia ocorrida no sábado que passou, dia 30, em Fortaleza, Ceará.

Mesmo nesses terríveis tempos pandêmicos, a notícia me leva – e tenho certeza que a outros amigos que conviveram com o Nasci – ao nostálgico túnel do tempo.

Nasci trabalhou na TV Record nos anos 60.

– Old times, rapaziada!

E lá, pelos corredores da sede da emissora na avenida Miruna, se fez amigo de fé, irmão camarada, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, dupla de compositores responsável pelos principais sucessos do seresteiro Altemar Dutra.

Era o que ele dizia – e nós confiávamos, desconfiando:

– O Altemar, eu conheci pouco. Mas, é uma voz e tanto.

Embora vivêssemos tempos pós-tropicalistas e de explosão do rock tupiniquim (Anos 80 de Rita Lee, Lulu, Blitz, entre outros) nunca ousamos questionar o nosso guru que, se provocado, não se furtaria a nos contemplar com seu tíbio cantarolar, uma a uma, as músicas mais conhecidas como “O Trovador”, “Sentimental Demais”, “Que Queres Tu De Mim”, “Alguém Me Disse”, entre outras tantas e tamanhas.

– Querem que eu dê uma palinha?

No auge do entusiasmo, Nasci prometeu reuni-los em São Paulo, assim que a agenda dos três batesse, para uma tour pela noite paulistana.

Seríamos os convidados especiais:

— Aí, sim, vocês vão saber o significado exato da palavra boemia.

Parece que o quarteto aprontou poucas e boas, em tempos mais idos ainda, pelos arredores da rua Major Sertório e afins.

O Nasci era um poço de lembranças.

E nós, a reportada na faixa dos vinte e tantos anos, éramos só curiosidade.

Para ser sincero, não acreditávamos muito na tal promessa.

Mas, confesso, ficamos instigados pela possibilidade de conhecê-los.

Lá, à nossa maneira, também éramos um bocado sentimental.

Quando soubemos da notícia da morte precoce de Altemar Dutra (em novembro de 1983, com 43 anos) logo pensamos no amigo Nasci.

Ele estava de folga ou não apareceu para trabalhar.

No dia seguinte, comentamos brevemente nosso espanto e tristeza. Como era de seu feitio, quando a conversa não era lá de seu agrado ou não queria seguir com tal assunto, Nasci permaneceu em silêncio, balançou a cabeça, como a dizer “é a vida”.

Nunca mais tocamos no assunto da noitada.

Mesmo assim, vez ou outra, surpreendíamos o Nasci a assoviar, nostálgico, uma daquelas belas e inesquecíveis canções. Visivelmente saudoso dos amigos e das noitadas da zona do lixo e do luxo paulistana.

Evaldo Gouveia estava com 91 anos.

 

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