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Gil, o setentinha

Janeiro de 65…

Aí eu vim (para São Paulo, fazer um teste na Gessy-Lever), tô nessa, aí um dia de noite, eu saio, tinha um bar chamado Bar Bossinha. Eu saí com um colega e fui pra lá. (…) Mais tarde me levaram pra Baiúca e fiquei conhecendo Thelma Soares que nos levou ao João Sebastião Bar. Estava lá – na época, eu não conhecia – o Hermeto, tocando piano e flauta; o Théo tocando guitarra elétrica; o Papão tocando bateria. (…) E nesse dia estavam comemorando o aniversário do Chico Buarque de Hollanda, que era um garoto que estava aparecendo, da faculdade de arquitetura, e pediram e ele foi lá cantar. Não lembro qual foi a música que o Chico cantou. Não lembro se foi “Pedro Pedreiro”… Acho que era. Nessa época, a única música de sucesso de Chico era aquela do Festival do Guarujá que o Vandré tinha cantado… “Carnaval desengano”. Resultado: aí pelas duas ou três horas da manhã, tava eu, viola na mão, cantando “A Roda”… Foi a primeira música que cantei em São Paulo.

Uns três ou quatro dias depois, eu voltei pra Salvador.

Cheguei lá, chamei Caetano e disse: Caetano! Encontrei um cara em São Paulo que não é normal, chamado Chico Buarque de Holanda.

Junho de 65…

“Me casei em 26 de maio de 1965. 7 de junho de 1965, eu chego em São Paulo à tarde e, à noite, me levam para o Teatro Record onde ia acontecer o segundo programa “O Fino da Bossa”, no qual aparecia, pela primeira vez, Ary Toledo, cantando (“O Comedor de Gilete”) e fazendo um imenso sucesso. E eu sentado na plateia, e aí o Zimbo Trio, Elis Regina etc… Aí eu já fiquei louco, já decidi que tava naquela, de que eu ia entrar naquele bolo. No outro dia, eu comecei a trabalhar na Gessy-Lever, mas já sabia que meu negócio era música.

Meses depois…

… A Elis grava “Louvação” e é aquele estouro; comecei a cantar na televisão, depois (fiz) um show com a (Maria) Bethânia e o Vinicius (de Moraes) no Rio, mudei pro Rio de Janeiro, gravei o primeiro disco com a Philips…

*Depoimento de Gilberto Passos Gil Moreira a Hamilton Almeida, da Revista Bondinho, em fevereiro de 1972.

*Gil completa hoje 70 anos. Não é exagero dizer que sem a obra musical de Gil certamente o Brasil e nós não seríamos os mesmos. Daí, o resgate que faço hoje de como tudo começou.

*Ao Gil, setentinha; aquele abraço…

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