Atletas da seleção durante treino de preparação no CT Columbia Park/Rafael Ribeiro/CBF
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Deixo a objetividade por conta do título.
Está de bom tamanho, não?
Não vá o hipotético/patético cronista além das meras observações…
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Arrasto, pois, minhas lembranças mais remotas, que misturam jornalismo e futebol, enquanto olho a manhã friorenta, de sol esquivo… (Nada como o cenário aberto de uma janela para dar o mote ao cronista, de olhos fatigados e algo letárgico diante das notícias que nos chegam.)
Imagino que aqui, nesta minha cidade, hoje, inesperadamente silenciosa, como em todos os quadrantes do país que dizemos amar (mas, não sei, não…), aguarda-se com a curiosidade do torcedor insatisfeito a escalação dos onze da nossa seleção que, logo mais à noite, entra em campo para enfrentar o destemido Haiti, aquele foi ou ainda parece ser aqui, no segundo confronto pelo Mundial de 2026.
O Endrick joga ou não joga?
Adapto o inesquecível bordão do Zé da Galera, criação do inesquecível Jô Soares:
“Bota o Endrick na seleção, Carleto?”
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Para nós, brazucas, o futebol passou a ser um jogo de ilações e adivinhações.
Eu acho isso…
Eu penso aquilo…
Se eu fosse o italiano eu…
Como não tenho resposta alguma para nada – e ainda nada posso lhes adiantar, recorro, como disse acima, às tenras memórias para tocar o post/crônica de hoje.
Se quiserem me acompanhar, será uma honra!
Vou lhes contar, então, que é razoável pensar que minha iniciação como leitor de jornal acontece pelo interesse e paixão pelo futebol, especialmente pelo Meu Palmeiras.
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Recordo-me, pois.
Morávamos na rua Muniz de Souza 420 (a casa ainda resiste por lá, acreditem!) no bairro operário do Cambuci, em São Paulo, Brasizilzil!
O pai trabalhava na Vetorazzo & Irmãos, fábrica de tecidos, a coisa de 500 metros de distância.
Almoçava em casa todo o santo dia – e, após o almoço, ainda tirava uma soneca rápida.
Inevitavelmente, o Velho Aldo trazia consigo a edição do Diário da Noite. Lembro bem: dobrada em quatro e a largava sobre o móvel da sala.
Eu chegava do Grupo Escolar Oscar Thompson pouco antes que ele – e, com o acesso liberado, já me debruçava sobre as páginas do jornal em busca da coluna “20 Notícias”, de Antônio Guzman.
Não preciso dizer, mas digo: era uma seção dedicada ao futebol, dividida em 20 tópicos curtos, com informações dos treinos e prováveis escalações das principais equipes para a próxima rodada do campeonato paulista.
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Uma curiosidade e uma constatação.
Fevereiro de 1974. Meu primeiro estágio em uma redação se deu exatamente no Diário da Noite. Não me passou pela cabeça, procurar o grande Guzman, se é que ele inda andava por lá. Desconfio que não. Queria, sim, fazer parte da editoria de esportes. Mas, o chefão de então (não lhe guardei o nome) preferiu não ouvir minhas preferências e me encaminhou para fazer parte da turminha de três ou quatro que cuidava da coluna social, de nome “Koisas com K”.
Durei, no máximo, uns 15 dias por lá, meus caros.
A constatação é a seguinte:
Tantos e tantos anos depois, mais de seis décadas, seguramente, continuo eu a revirar o notíciario esportivo atrás da escalação de um time de futebol…
Ô sina!
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Em todo o caso, deixo aqui minha sugestão:
“Bota o Endrick na seleção, Carleto!”
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Memória
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