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O craque da vez

Engana-se quem imagina que vou falar de Neymar – ele, sim, o craque da vez.

Acordei nostálgico. Devo ter sonhado – não lembro direito – com meu tempo de menino de rua, lá nas quebradas do Cambuci/Aclimação.

Vou lhes confessar.

Sinto uma falta danada do tempo em que era um esforçado quarto-zagueiro dos campões de terra batida da várzea paulistana.

Comecei cedo, em um time infantil formado pelo João Bicudo, lá na Aclimação. Nós o chamávamos de Botafogo, embora jogássemos com as camisas listadas – mais do que surradas, e gastas – do Santos Futebol Clube do Cambuci, que nos presenteava após anos e anos de uso.

Era bem divertido. Acordávamos bem cedo e nos encontrávamos nas imediações da rua Almeida Torres com a Albino Barbosa, antes da sete da matina de domingo. Dali, íamos na carroceria de um caminhão até o campo do time adversário, fosse onde fosse nos quatro cantos desta São Paulo que já ameaçava tornar-se uma supermetrópole.

Trocávamos de roupa atrás de um dos gols – vestiário, quando havia, era miserável e, ao mesmo tempo um luxo – e, bola rolando, era nossa vez – garotos sonhadores – de nos imaginar o craque da vez… Pelé, Coutinho, Zito, Gilmar, Djalma Santos, Luisinho, Bataglia, Chinesinho, entre outros tantos e tamanhos.

Por mim, ser um Roberto Dias, nem pensar. Clássico, jogava de cabeça erguida, foi considerado pelo próprio Pelé como o seu melhor marcador. Eu era mais fraquinho. Quando muito me via assim, como um Altair, do Fluminense, o rei dos carrinhos. Começou como lateral esquerdo – e, no fim da carreira, jogou de quarto-zagueiro.

Joguei – ou insisti em jogar – até os 50 e tantos anos, mas essa lembrança remota dos tempos de garoto, ainda hoje, é a que mais me comove e se faz inesquecível.

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