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O sapateado do Andreas Pereira

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Foto: César Grecco/Palmeiras

Torcida amiga, bom dia!

Era assim que o Mestre dos Comentaristas, Ary Silva (1917/2001), começava a coluna diária sobre futebol no Diário de S. Paulo e no Diário da Noite e assim o fez por décadas e décadas.

É assim também que reverencio a memória e o legado do Mestre e dou início ao post de hoje.

Post que, na verdade, venho protelando desde a noite de domingo.

Minha legião de amigos palestrinos ocupou meu zap. Mostraram-se indignados com a parcialidade pró-Corinthians na cobertura do clássico em que o Palmeiras venceu por 1×0, lá em Itaquera.

Estranhei. Cadê a novidade?

Sempre foi assim. Por que mudariam o bater do bumbo e as cantilenas de sempre.

“O Palmeiras venceu. Mas, o Corinthians foi melhor” – ouviu-se à exaustão nas tais mesas redondas (que hoje muitas sequer têm uma mesa e redonda, desconfio, elas nunca foram).

Tenho bons e amáveis leitores de todas as matizes de torcedores.

Para aqueles e para esses, eu vou lhes confessar: não tenho mais a paciência de outrora, quando ainda lecionava a disciplina Crítica da Mídia no curso de jornalismo, para discorrer sobre o incandescente tema.

Hoje em dia eu prefiro ver as coisas como um pacato torcedor que fica feliz quando o Palmeiras vence e “um pouco triste quando meu time perde”, como diz meu sobrinho-neto, o Bernardo, que, registre-se, é sãopaulino.

A princípio, tratei de desbaratinar a bronca dos camaradas palmeirenses no melhor estilo Leila Pereira:

“Fiquem calmos”, eu disse e completei:

Afinal vencemos o jogo – e, todo esses chiliques dos coleguinhas, são bem divertidos.

Mostram a quantas andam a isenção e a tal imparcialidade jornalística.

“Sempre acham um jeito de menosprezar e diminuir a vitória do Palmeiras. Por que as conquistas e os feitos do Palmeiras os incomoda tanto?”

“Me irrita quando falam o que falam em nome da torcida do Palmeiras. Que torcida, carapálida? A organizada, a das redes sociais ou a turma do amendoin?”

Astrão, meu bom e indômito amigo, não tenho como lhe responder ao seu desabafo em forma de perguntas.

Direi apenas que sou – e serei sempre – solidário ao amigo em gênero, número e grau.

Desencane, Astrão.

A cobertura jornalistica não é mais como nos tempos do Ary Silva.

Hoje, o foco é outro. Prioriza o entretenimento – e, claro, a repercussão nas redes sociais.

Algo assim como um BBB que envolve o jogo, o antes e o depois.

O caso do sapateado do Andreas Pereira no gramado da Neo Química Arena é um bom exemplo da implacável caça ao clique e à audiência. O repórter da TV Record, que fez a transmissão do jogo, entrou em delírio quando o cinegrafista lhe passou a propalada imagem da destruição da marca do pênalti. Era a oportunidade que lhe apareceu de fazer e acontecer. Tratou de dramatizar a cena e trombeteá-la ao mundo em tons de testemunha ocular de um crime descomunal e inafiançável.

A repercussão que se viu (e ainda se vê) desde então é só um jeito de apropriar-se da cena e navegar grande onda – e, por óbvio, deixar o resultado do jogo ( e o pênalti inventado) num segundo plano.

A propósito do assunto, eu recomendo ao Astrão e aos demais inconformados do zap a leitura da coluna de ontem, da corintiana Milly Lacombe, uma das raras manifestações de bom senso e precisão ao tratar do assunto.

Clique no título para ler.

Vamos colocar Andreas Pereira em perspectiva?

Para quem não é assinante do UOl, transcrevo alguns trechos:

“O futebol tem espaço para a malandragem e precisamos saber ver as nuances de cada episódio. O que é o drible senão uma malandragem permitida? Faço que vou para lá e venho para cá. Andreas Pereira poderia ter sido punido com um amarelo caso algum dos 345 árbitros que hoje assistem ao jogo tivesse visto o que ele fez. Mas ninguém viu, estavam ocupados sabe-se lá com o que, e Memphis escorregou provavelmente porque Andreas foi malandro.”

“O futebol tem problemas sérios e esse não é um deles.”

“Andreas foi malandro. O Palmeiras venceu. Meu time perdeu. Ontem, meu time venceu. Com o camisa 10 subindo na bola e a torcida acabando com o jogo na hora que bem quis. Eu achei lindo. O futebol precisa ser respeitado em sua totalidade e complexidade. Moralistas de conveniência não deveriam ter tanto espaço.”

Respondo ao Astrão e aos demais amigos torcedores palmeirenses. Eis a minha humilde receita para acompanhar o dia a dia do Palmeiras. Procuro noticiários que privilegiem os repórteres_repórteres, evito programas só de comentários e pseudas análises. (Inclua-se aqui a chamada mídia palestrina). Hoje é moda o Pimpão, de microfone em punho, achar-se um tótem da moral, da ética e dos bons costumes. Vale para jornalistas, ex-boleiros, video-makers, influenciadores e afins. Há bons cortes no YouTube que tratam a informação como prioridade.

Na hora da partida… Ah, na hora crucial da bola rolando, sugiro que diminua o aúdio seja qual for a detentora da transmissão. Também os narradores de agora, em busca do primor de uma “nova linguagem”, andam aos berros e delírios. Depois do jogo, se lhes der na telha, vejam a coletiva do Abel e, como diria o botafoguense João Saldanha, “vida que segue…”

A vida, meus caros e preclaros, não é só futebol.

É também, mas não só…

TRILHA SONORA

1 Response
  • Amândio Martins
    11, fevereiro, 2026

    Sou corinthiano da nata. daqueles do futebol raiz. Não deste futebol cheio de mi-mi-mi. Não dá!
    Tenho dito desde o término do jogo de domingo. O Corinthians foi superior ao Palmeiras (que não está lá aquelas coisas da 3a. academia que se desfez)
    Desde que a bola é redonda e o futebol foi criado, o clube punido com o a marcação do pênalti “escava” o local onde a bola será colocada, provoca o batedor, afim de prejudicar a cobrança. Faz parte do futebol!
    Faltou sim ao Corinthians atenção e malandragem também (peculiar do futebol). Algum jogador que não fosse cobrar o pênalti deveria pegar a bola e ficar postado sobre a marca do pênalti para que ninguém fizesse o que o Andreas fez. Ponto final.
    O Memphis não caiu na cobrança por causa do “suposto” buraco. Ele tirou o goleiro Carlos Miguel da meta, porém, cometeu um erro crasso dos fundamentos do mundo do futebol: o pé de apoio sempre deve estar na linha imaginária que passa pelo eixo da bola (esta eu aprendi com as dicas do Pelé no suplemento que saia no miolo da Revista Manchete, lembram-se?). Na sequência inclinou o corpo e se jogou, pois viu que a bola passou longe das traves do gol.
    Falemos sério (para quem gosta de futebol!), ter a intervenção do TJD neste caso será decretado de vez o fim do futebol brasileiro que já não anda bem das pernas, abrindo um precedente ruim de recurso para qualquer coisa que tenha acontecido dentro de campo e tenha sido ignorada pela arbitragem, mas que as câmeras tenham registrado.
    Triste..
    Fim de papo. Segue o jogo….

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