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Os pilares do bom jornalismo

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Leio sem surpresa sobre o afastamento de Paulo Henrique Amorim do comando do Domingo Espetacular, na TV Record.

Inevitável!

A mesma questão ideológica leva a Jovem Pan à livrar-se de outra voz forte em sua programação, o professor Marcos Antônio Villa.

Previsível, eu diria!

No SBT, o patrão Silvio Santos vem sendo pressionado a demitir a jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade.

Leio também que aquele patético senhor, dono de uma cadeia de lojas, escreveu uma carta para o SS recomendando a demissão da profissional por sua postura crítica ao (des)governo que aí está.

Nenhuma novidade pra quem, como eu, está nessa lida – agora um tantinho mais à distância, eu reconheço – há lá se vai quase meio século.

46 anos, para ser mais preciso.

Disse muitas vezes aos estudantes de jornalismo que deveriam estar atentos e fortes – sempre e sempre.

Em dado momento, fosse qual fosse a empresa para a qual trabalhassem, teriam que fazer uma opção entre atender aos interesses do leitor/espectador/ouvinte/internauta ou se submeterem às ordens do patronato.

Coragem grande é dizer não!

Referendava minha fala numa contundente observação do jornalista Mino Carta:

“Só no Brasil o jornalista se considera ‘colega’ do dono do jornal”.

Aliás, Mino tem um livro interessantíssimo sobre as transformações de muitos dos nossos profissionais de Imprensa.  Que, em defesa do emprego, do prestígio que essa colocação lhe empresta, toma para si os valores ideológicos e, digamos, existenciais do patronato como se fosse um deles.

Chama-se O Brasil (Editora Record, 2013)

Por essas e por aquelas, quero fazer aqui, no Blog, uma humilde reverência ao jornalista Gleen Greenwald, do site The Intercept Brasil. Pelo notável e corajoso trabalho que desenvolve – e que se espraia mundo afora.

Nada e tudo contra este (des)governo que é desatroso, mas o que me move neste registro é prioritariamente saudar o respeito de Gleen e seus pares pelo Jornalismo.

O respeito e, sobretudo, o amor ao jornalismo, por que não?

Passei por várias redações, e depois na sala de aula de três universidades. Sempre com a proposta de pétrea defesa do jornalismo como esteio da sociedade e dos valores democráticos.

Só assim vale a lida de se correr diariamente atrás dos fatos e das notícias.

Não nos iludamos, o Jornalismo só vale enquanto se dispuser a ser um instrumento de transformação e defesa dos valores democráticos.

Confesso: andava (ando) bem cabisbaixo ultimamente com o papel da Imprensa. Quase toda ela subserviente aos Donos do Poder, ao retrocesso e ao obscurantismo.

Um ou outro Brancaleone se põe em armas contra os opressores. Quase sempre com trabalho independente aos chamados grandes veículos de comunicação. O que lamento profundamente.

Não foram poucas as vezes que bateu a sinistra sensação de que o Jornalismo, como esteio das demandas sociais, fora para o espaço – e em sua nova órbita cada vez mais se afastava dos preceitos que o fazem vingar seja qual for a plataforma em que se insira:

1 – o respeito à verdade factual

2 – a função crítica

3 – e a função fiscalizadora

Sinceramente, não sei quem é quem nesses dias de virtualidades e notório patrulhamento intelectual e social.

Minha total solidariedade aos profissionais acima citados.

Sei que, muitas vezes, não concordei com tudo o que disseram.

Mas, é certo, defenderei sempre o direito de expressarem-se. Livre e democraticamente.

Termino parafraseando o poeta e jornalista Mário Quintana:

O jornalismo não muda o mundo.

O jornalismo muda as pessoas.

As pessoas mudam o mundo.

 

*Ilustração: cena do filme O Incrível Exército de Brancaleone (Itália/1966)
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