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Resposta ao Escova (sobre o post de ontem)

Já cansei de dizer ao Escova que esse negócio de “ombudsman” saiu de moda, inclusive nos jornalões – o que dizer então de ele se arvorar a ser o responsável pela avaliação do meu humilde Blog?

Mas, o que fazer se o amigo dos tempos idos, da velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor, insiste em ser o porta voz das críticas ao que escrevo. Diz que fala em nome dos meus amáveis, fiéis e resistentes cinco ou seis leitores, mas, sei não, acho que o malandro se pronuncia em nome dele mesmo.

Aos amigos, tudo – dizíamos lá nos antigamentes.

Com a palavra, pois, Escova, o ombudsman:

“Você foi muito seco no texto de ontem, sobre o Paulo Coelho. Limitou-se em dar a notícia, importante notícia (que o livro O Alquimista está há sete anos na lista dos mais vendidos do New York Times). Parece que ficou com medo de se posicionar. Que quis escapar do panelaço da “patrulha” dos intelectuais que desprezam a obra do escritor brasileiro… O post merecia algo mais, digamos, pessoal. Afinal, o Blog serve para isso. Assim como a crônica nos jornais tinham (será que ainda têm?) essa função de realçar um olhar mais alongado, mais autoral, para determinado fato. Um aspecto que escapa à frieza da reportagem sobre o mesmo assunto.

Concorda?

Concordo, claro. Como discordar de um amigo, tão amigo e, sobretudo, interessado nas bobagens que escrevo.

Tentarei responder a ele – e aos meus incautos leitores – da forma mais objetiva possível.

Vamos lá, em forma de moção a ser aprovada pelo distinto senhor Escova:

“Considerando que se trata do mais renomado escritor brasileiro da atualidade,

Considerando que sou admirador de Paulo Coelho desde os tempos em que ele era parceiro de Raul Seixas,

Considerando que vejo muito preconceito nas críticas que boa parte da mídia faz à sua obra como escritor,

Considerando, inclusive, que não mais se justifica esses aborrecidos comentários,

Considerando que tenho muito dos seus livros,

Considerando que o fato e o feito falam por si,

Considerando isso tudo (e mais alguns quesitos que não estou com paciência para relacionar)…

… Achei desnecessário achei desnecessário tecer loas e proas ou emitir qualquer juízo de valor e comentário sobre mais esta conquista do escritor, senhor Paulo Coelho.

Reitero, amigo Escova, o feito e o fato falam por si.

Espero que me entenda(m)."

II.

Um adendo, se me permite(m) – e já que fui provocado, creio, posso me alongar mais um tantinho:

Certa vez, em uma taverna nos confins da Bélgica, nos arredores de Bruges, se bem me lembro, entrei em uma taverna para molhar o bico e descansar o esqueleto da jornada do dia. Fui atendido por uma moçoila que mal acabou de me servir o canecão de cerveja, voltou para o seu canto no balcão e se deixou entreter pela leitura da versão francesa de “Onze Minutos”, livro de Paulo Coelho que havia acabado de ser lançado em diversos países. Entre um atendimento e outro, ela mergulhava por inteiro na leitura, interessadíssima.

Fiquei observando a moça – e pensando que conquistar a atenção (e o carinho) de alguém que vive em um lugar tão distante, com uma cultura diferente, sonhos e anseios, idem, é algo bem mais importante e vital do que ser reconhecido por este ou aquele suposto crítico literário.

Desde então – e creio que antes mesmo -, sinceramente, acho essas críticas absolutamente sem sentido.

O leitor, sim, é a razão de vida de quem escreve…

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