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Marceleza e a falta dágua

Lá vem o Marceleza descendo a ladeira.

Quem não o conhece que o compre.

Há tempos não via o amigo, a quem reputo o mais carioca dos paulistas.

Justifico com um breve currículo: o cara nasceu e m Caraguatatuba, foi criado no Rio de Janeiro, torce pelo Fluminense, tem um linguajar muito próprio, fala ‘mermão a cada cinco minutos, mora em um lugar incerto e não sabido no Vale do Paraíba, usa chapéu Panamá e é cheio de histórias.

Reconheço que é sempre uma diversão encontrá-lo.

Desta feita, o Marceleza se disse invocado com a falta de água que afeta o Estado. Para ele, foi um ‘tremendo vacilo’ das autoridades. O governador ‘deveria ter chegado junto nos caras da Sabesp, que que há?’

– E olha, mermão, que o Geraldo (o governador Geraldo Alckmin) é lá do meu pedaço. Nasceu em Pinda (Pindamonhagaba) e não teve devido cuidado com a região. O (rio) Paraíba tá no osso, meu camarada.

Aplaudo as preocupações ambientais do amigo.

– Meu querido, depois que a princesa Sophia e o Júnior vieram alegrar os meus dias e os da patroa, minha batalha é por um mundo melhor.

Uau! Quem te viu e quem te vê? Temos então um Marceleza na militância, quem diria?

– Mermão, você bem sabe que desde os tempos de estudante eu sou um cara engajado. Ainda rapazola fui candidato a vice-prefeito de Caragua. Nada disso é novidade para mim. Até porque tem uns caras sem-noção por aí que dá até medo.

II.

O amigo me conta que veio a São Paulo, semanas atrás, para conversar na Sabesp sobre a frequente falta de água que estava assolando a região onde mora. Por ser uma aprazível cidadezinha em meio à Serra da Mantiqueira (ele nunca diz o nome do lugar onde mora e/ou se esconde) “e a represa do Funil está no osso do caroço”, houve ocasião em que os moradores ficaram quase uma semana sem água nas torneiras. Um sufoco!!!

O pessoal do governo lhe disse que “é um problema pontual”. Mas, que estão fazendo uma grande obra na região. Em cinco anos, mais tardar, este problema será superado.

Meio que ressabiado, o Marceleza voltou para a sua aldeia, reuniu o pessoal na praça e, do palanque, informou a todos que tivessem paciência e tal que o problema estava equacionado. Não era o que imaginavam, mas em cinco ou seis anos mais tardar a falta de água seria uma coisa do passado.

– Meus queridos, vamos continuar igual aos escoteiros; sempre atentos que a luta continua.

III.

Por uma dessas inexplicáveis coincidências, os dias que se sucederam ao discurso do Marceleza foram “de abundância aquífera” nos lares da cidade.

O próprio Marceleza se surpreendeu. Será que estava com todo esse cartaz junto às autoridades? Estava em um boteco, rodeado de ‘parças’, quando resolveu botar uma banca e lembrar a história que esteve em São Paulo e falou na Sabesp e cousa e lousa e mariposa.

No grupo, havia o Eustáquio, um gozador de ofício, que não perdoou a panca de “otoridade” que o Marceleza estava exibindo, depois do terceiro ou quarto chopes.

– Sem essa, Marceleza. Você que anda muito distraído. Não disse que os caras iam resolver o problema em cinco ou seis anos? Pois então… O tempo passou tão depressa que você nem se deu conta…

Eta, povo ingrato!

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