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Tenho esperanças, meus caros

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Foto: Arquivo Pessoal

Nestor e Escova raramente dão notícias.

Não sei se os caríssimos cinco ou seis leitores se lembram dos amigos.

Vez ou outra, eu falo deles (e com eles) por aqui.

O primeiro mora em Brugges na Bélgica. O outro, que por um bom tempo se auto-intitulou ombudsman do Blog, escafedeu-se para uma aldeia perdida no Interior da França.

(Faz mistério do nome da dita-cuja. Acha mais charmoso assim.)

Nestor saiu do país ainda garoto. O pai (sindicalista) precisou se exilar assim que o Golpe de 64 recrudesceu as ações contra quem lhe fazia oposição. Desde então, só vem ao Brasil de férias, e olhe lá. De tempos em tempos.

Escova recolheu as parcas economias que amealhou vida afora e se mandou do Brasil assim que outro Golpe se consolidou, em 2016, com o impeachment da presidente Dilma Rousselff. Foi morar com a filha nos arredores de Paris e se especializou na doce ventura de ser o “grand-père”  de duas graciosas meninotas.

Ambos reapareceram nesta semana, via e-mail.

Curiosamente, no bojo da conversa eletrônica, fizeram cada qual à sua maneira o mesmo questionamento a este humilde escriba:

Quando é que vou me coçar e também dar fora desta bagunça “sem futuro” chamada Brasil?

Respaldam suas preocupações para comigo nas notícias que por lá chegam. Notícias que dão conta que vamos de mal a pior. E que o fundo do poço não demora a chegar.

Falam em regime autoritário, que prega o retrocesso, que desfecha ataques sistemáticos à imprensa, que privilegia o estado policialesco e toda aquela cantilena que bem sabemos (e vivemos) sobre a falta de rumo e de prumo que nosso País atravessa.

Fico assim um pouco feliz e outro tanto triste quando leio a mensagem dos amigos (que acrescento, para os devidos esclarecimentos, não se conhecem).

Feliz, sim, por saber que estão bem. Têm uma vidinha pacata afinada com as expectativas que lhes cabem nesta etapa da vida.

Feliz também pela preocupação para com este amigo distante – e, confesso, saudoso dos idos tempos em que nossas vidas era jogar futebol o dia todo (no caso do Nestor) ou batucar a velha Olivetti na destemida redação de piso assoalhado no intento da melhor reportagem (no caso do Escova que, aliás, tinha o saboroso apelido, à época, de Dom Juan das Quebradas do Sacomã. Agora, o caro virou vovô, pode?).

De outro modo, a tristeza se faz a partir da constatação de que não lhes tiro uma linha de razão em tudo que me escrevem.

Também como eles, nunca imaginei viver tempos de tamanha idiotia e retrocesso.

Mas, ao contrário deles, não que haja sinais para tanto, insisto: acredito que um novo dia vai raiar.

Tenho esperança, meus caros.

Além do que, sinceramente, não saberia viver em outro lugar.

O certo sem mentira, a verdade muito verdadeira: continuo a sonhar com a construção de um Brasil verdadeiramente de todos os brasileiros.

Sou um tolo? Talvez…

Mas, quero estar por aqui quando esse tempo chegar.

Se bem que uma longa temporada na bela Siracusa, na província italiana da Sicília, ‘Dio mio’, não seja lá uma ideia tão descartada assim…

 

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