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Homem de fé

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Não sei precisar em que ano foi.

Uns oito ou dez, por aí.

Sou péssimo nesse negócio de guardar datas.

Mesmo lugares que visito em viagens, faço uma confusão danada quando tento recordar alguns deles em posteriores conversas. Quando foi isso? Onde foi aquilo? E aquele outro?

Conto-lhes  hoje esta história – que aconteceu fugazmente na Catedral de Buenos Aires, na igreja de San Martim – porque exata e inexplicavelmente nunca esqueci aquela cena…

(…)

Ali, estava um homem de fé.

Demorei alguns instantes para reconhecê-lo aos pés da imagem do Cristo à entrada (ou saída?) da movimentada matriz da capital da Argentina.

Era bem mais alto e forte do que eu supunha quando o via, à distância, das arquibancadas do então Estádio Palestra Itália ou mesmo nas entrevistas na TV.

Ele não teve uma passagem das mais marcantes pelo meu Palmeiras, meu Palmeiras. Mas, sempre o achei um cara correto, coerente; e diferenciado, por que não?

Àquela época, estava sumido da mídia esportiva. Talvez por isso minha surpresa. Sabia que andava pelo Oriente Médio.

Mas, eu o encontrara ali. Em oração, distante alguns metros do grupo de turistas (eu era um deles) que se avolumavam diante do santo altar e pelos corredores da igreja, algo sombria para aquela hora do dia.

(…)

Quem milita no futebol é quase sempre popular. Alvo da curiosidade de fãs e adeptos do esporte.

Estranhei que ninguém o procurasse.

Ninguém. O homem estava ali posto em oração, circunspecto. Sozinho, talvez.

(…)

Confesso que tive a curiosidade de saber o que fazia ali. Se pedia proteção para si e seus familiares. Se rezava pela paz no mundo. Por dias melhores. Para que seus sonhos boleiros se realizassem…

Tive um impulso de ir lá e cumprimentá-lo.

Dizer que o conhecia, e admirava.

Quem sabe ele não voltasse logo a treinar um time no Brasil, eu torceria por ele, pelo seu sucesso. Qualquer um, menos o Corinthians, claro, nosso arquirrival.

(…)

Meses depois, o Tite chegou justamente para treinar aquele outro time e fez uma trajetória repleta de conquistas.

Intuí que aquelas orações – justapostas à extraordinária capacidade e liderança – deram frutos.

Hoje, este gaúcho de fina cepa, este homem de fé, é o senhor de todos os nossos sonhos futebolísticos.

Vou torcer por ele, e por nós…

*(foto: Lucas Figueiredo/CBF)

*A trilha sonora é para os aniversariantes da semana que hoje se inicia. Sou ruim de datas, como disse lá em cima. Por isso, desde já, fica aqui o meu presente e os meus sinceros votos de felicidades…

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