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Um triste cantar…

Há tempos que não acontecia.

Acordo com o canto dos sabiás. Madrugada ainda. Não bateu quatro da matina.

Os bichinhos estão atacados neste alvorecer.

“Bateu quatro da matina” é jeito de falar, como se aqui em casa houvesse um relógio-cuco e o tal se dispusesse a se manifestar de hora em hora.

Os antigos tinham essa precisão. O relógio na igreja da Praça a instigar o badalar dos sinos a cada hora. O relógio de bolso; depois o de pulso que hoje é mais ostentação do que precisão. Vivemos com o nariz grudado no visor do celular a checar as mensagens que nos chegam, as notícias do dia que informam ou desinformam sobre o mundão conturbado onde sobrevivemos ao peso dos dias que passam, do efêmero. Do tudo e do nada.

II.

Há alguns muitos anos – penso que escrevi aqui mesmo no Blog – andava repleto de dúvidas e possibilidades (não que agora não as tenho; as dúvidas aumentaram, as possibilidades rareiam) e um bichinho desses me despertou todos os dias, por semanas, precisamente ás 3h43 da madruga. Talvez fosse horário de verão, não lembro.

Não conseguia identificar que a cantoria era dos sabiás-laranjeiras do entorno. Imaginava que algum vizinho maldoso prendera o animalzinho numa gaiola – e, por isso, o tal tinha o cantar tão melancólico.

– Não se prende sabiá, em gaiola – disse um amigo entendido no assunto.

– Não? Por quê?

– Ele morre…

III.

Fiquei chocado quando, à noite, enquanto imaginava arrastar minhas correntes e desilusões madrugada a dentro, não ouvia o triste cantar.

Perguntei ao mesmo amigo que, ufa!, me tranquilizou:

– Deixa de ser bobo, cara. Está cheio de sabiá no bairro onde você mora. Você que anda com o sono mais pesado…

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