Foto: Gil e Flora/Reprodução do Instagram
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Conto-lhes o que sei da história da música “Drão”.
No meu entender, a mais linda forma de um homem dizer à mulher com quem está que ama outra.
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Seguinte:
Os anos 80 surpreenderam Gilberto Gil com uma nova e arrebatadora paixão.
Seu nome: Flora.
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Aos 38 anos o baiano vivia um momento luminoso.
Depois de um tempo no exílio, viu a carreira decolar e se consolidar nos anos 70. Especialmente
depois da trilogia Refazenda, Refavela e Realce, “quanto mais purpurina melhor”.
Gil assume o pop e o universal, e, entre outros feitos, introduz o reggae no País com a brejeira tradução
de “No woman no cry”, de Bob Marley.
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Já lhes contei que ouvi a primeira audição pública desta canção num show histórico, ainda no Colégio Equipe, organizado por Serginho Groismann.
Gil, voz e violão… Inesquecível.
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Outro marco na carreira de Gil. Em 75, fez o álbum duplo, raridade, ao lado de Ben Jor. Gil Jorge.
Outro momento luminoso que só não vingou no palco do Teatro da Universidade Católica porque
Ben Jor – ainda Jorge Ben – precisou passar por uma cirurgia odontológica.
Creio que os deuses da música conspiraram contra o encontro por medo de conhecer uma divindade tão igual ou maior que a deles.
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Voltemos ao tema, pois.
A paixão pela comerciária Flora, que já aparece no disco A Gente Precisa Ver o Luar (1981), enfrenta um porém.
Gil é casado com Sandra Gadelha. Irmã de Dedé Gadelha, então esposa de Caetano Veloso. Os quatros enfrentaram todas as barras do exílio e do retomar da carreira no Brasil.
Gil e Sandra tem dois filhos, Pedro e Preta. E não háqualquer motivo aparente para a separação, que, inevitável, acontece em 1980.
Um período dificil para Gil. Que, de alguma forma, vai se refletir na produção do elepê/show Um Banda Um. Um trabalho mais existencial e reflexivo. “Andar Com Fé”, “Deixar Você”, e “Drão” são as composições mais emblemáticas dessa fase.
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O nome Drão, na verdade, é a corruptelado apelido de Sandra, Sandrão. E a música descreve poeticamente uma amor que não se acaba, mas se transforma. Ainda que seja uma canção de despedida,
trata-se de uma delicada declaração de amor.
“O verdadeiro amor é vão.”
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Um poema. Um adeus.
Toda vez que a ouço me emociona.
Recebeu dezenas de versões.
Goste da leitura que Caetano lhe deu..
Mas, no fundo, no fundo, pessoalmente, prefiro mesmo de dizer “olá”.
Ok. Não me emociona tanto, mas faz um bem danado.
Sigamos…
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TRILHA SONORA
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*Adaptação de texto original, publicado em 16 de dezembro de 2006



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