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O adiantado das horas

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Foto: Arquivo Pessoal

O Blog passou por uma manutenção todos esses dias.

Ficamos ausentes, portanto.

Nada entendo dessas modernidades tecnológicas e de suas entranhas, por isso fiquei na minha.

Em compasso de espera.

Aproveitei para matutar sobre esse meu cotidiano blogar.

Lá se vão quase 16 anos.

Mais de 4.300 posts.

Que, mal ou bem, deram origem aos meus livros e e-books.

Oito ou nove, nunca sei.

Tem outro vindo por aí – A Cor da Vida e outros contos ligeiramente românticos.

Talvez, em julho. Ou agosto ou…

Nunca sei quando é o melhor momento de lançar meus livros.

Enfim…

Com o Blog parado – voltamos ontem com a homenagem aos 50 anos da dupla Chitãozinho e Xororó que mereceu um lindo comentário do amigo Amândio -, assaltou-me a dúvida se também o cronista/blogueiro precisa de um clique no ícone pessoal de ATUALIZAR.

O que acham?

É provável.

Sei que minhas configurações precisam de reparos.

Andam pelas tabelas.

Mas, convenhamos, haja cliques e mais cliques para me por em dia com as novidades deste mundão atulhado em um oceano de informações, opiniões, palpites e podcasts.

Tudo em tempo real.

Sou das antigas.

Do tempo da pesada máquina de escrever.

(Toc, toc, toc.)

Do repórter na rua à cata da notícia para o jornal do dia seguinte.

Da redação em polvorosa (acho que nunca escrevi essa palavra; sempre há uma primeira vez) para cumprir os prazos de fechamento das páginas.

“Parem as máquinas!”

“Notícia de última hora!”

“Extra! Extra!”

Sou da turma do ‘pescoção’ da sexta pra adiantar as edições de sábado e domingo.

De esperar o jornal rodar e apanhar um exemplar na boca da impressora, só para ver o resultado do nosso trabalho.

Priscas e boas eras.

Se ainda resisto digitalmente por aqui, desconfio, é por pura teimosia.

Também porque não sei fazer nada diferente.

Certa vez, lá se vão anos, mas nem tantos…

Em um seminário do qual participei, um senhor ao meu lado na mesa de palestrantes, resumiu o ato de comunicar-se a uma ação de convencimento, de persuasão.

“Comunicar é convencer”, disse.

E explicou pausadamente:

“Mais do que informar,

… mais do que entreter,

… mais do que divulgar ou qualquer outra coisa,

… comunicar é ser, ele próprio, o protagonista da verdade que anuncia e que…

… generosamente ou não, quer compartilha-la com o distinto público.”

Foi um alvoroço (outra palavra que sempre quis usar) entre os palestrantes e a plateia.

Me pareceu que, uns pelos outros, todos queriam dar um pitaco ou acrescentar a própria versão para a tal declaração.

Queriam convencer ao digníssimo senhor e a todos que, eles sim, estavam com a razão.

Citaram uma penca de autores, pesquisadores, comunicólogos que eu sequer tinha ouvido falar.

Temi pelo pior.

Os ânimos se exaltaram.

Foi um pampeiro.

Digamos um pampeiro acadêmico_midiático_filosófico.

Como era o último da mesa a falar, respirei fundo e esperei a bomba cair no meu colo.

O que não tardou a acontecer.

Em meio às discussões, o mediador pediu silêncio, alegou o adiantado da hora – e me perguntou:

“Como o jornalismo contemporâneo vê essa questão? O que o Sr. acha?”

Fui um pouco sincero e outro tanto cínico na resposta:

“Senhores, senhoras, sou um areal de dúvidas. Não sou o mais indicado a falar sobre jornalismo contemporâneo. Aliás, para ser franco, peguei uma depê dessa disciplina no curso da ECA/USP. Talvez por isso não faça distinção entre o jornalismo de ontem, o de hoje ou o de amanhã. Pode mudar a forma com que se dá a notícia, a plataforma em que a divulgamos, mas nunca o conteúdo, o respeito à verdade factual e o compromisso com o bem comum. De resto, e pra variar, nada entendo das tais redes sociais, não sigo ninguém, também não quero que me sigam. Até porque nunca sei direito pra onde vou e se vou.

E completei:

– Além do que, amigo, eu só o vim aqui entregar um telegrama.

Isto posto, o mediador – dado ao adiantado da hora, creio – deu a sessão por encerrada.

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