Foto: Blog do RCM/Arquivo
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Será que já lhes contei essa historieta?
Desconfio que sim. Ao longo de quase 20 anos (a se completarem em 25 de setembro agora) e mais de 5300 posts/crônicas (cada vez mais posts do que crônicas), é desculpável que, vez ou outra, eu repita alguma passagem da minha modesta jornada em empilhar letrinhas.
Não vem ao caso.
Não importa.
Eis o mote da conversa de hoje.
Levo em conta que é sexta-feira…
Na velha redação, onde quase tudo poderia acontecer – e acontecia, nós a chamávamos (a sexta-feira) de o Dia do Crime ou o “da libertação”. Tínhamos hora para entrar, mas não para sair…
Expediente pesado, os atropelos para o ‘fechamento’ de edições diversas e simultâneas para adiantar o final de semana quando a redação funcionaria em regime de plantão, com a turma reduzida – e folga para alguns outros tantos privilegiados.
Em outras redações, a dita sexta-feira recebia o vulgar codinome de ‘Pescoção’.
Mas, nós, sobreviventes, malajambrados e periféricos, preferíamos a nossa enviesada alcunha: o Dia do Crime ou da Libertação. À escolha do incauto freguês.
Talvez por isso, e muito provavelmente em alusão a isso, eu tinha uma camiseta cinza chumbo com a seguinte inscrição:
“Não importa” – e achava o máximo usá-la nessas jornadas.
Meados dos anos 80 quase 90, não lembro bem.
Lembro, sim, que aquela era a minha senha.
Mesmo no corre da finalização da edição página por página, caderno por caderno, jornal da orla, a carta, alboradas, gazeta de são bernardo e outros títulos quetais tinha resposta para tudo o que me perguntavam – e mesmo para o que, intuía, deixavam de perguntar.
Tocava em frente.
Importante era não perder o prazo para o jornal (alô Waltão, o valoroso chefe da oficina!) se encaminhar no horário às barulhentas rotativas.
Quem viveu essa estonteante agonia, sabe bem o que estou falando.
Quem não viveu… não viverá. Outros tempos. Outro mundo (sorry periferia).
Por isso, caso qualquer chatonildo ou empata da vez questionasse algo que eu não queria ou não soubesse responder, deixava que a frase estampada na velha camiseta falasse por mim.
‘Não importa’.
E segue a vida!
(Nada como ter trinta e poucos anos, algumas ilusões – e todos os desconhecidos desafios da vida pela frente.)
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TRILHA SONORA
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