Garoto a enfeitar a rua para o jogo da seleção/Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Escrevi uns 20 e tantos posts no decorrer desta Copa do Mundo.
Não havia me dado conta da longa sequência.
“Foram tantas as emoções” – diria Roberto Carlos, o cantor.
Foi divertido, eu lhes digo.
“O futebol é o ópio do povo” – exagerava o pessoal da Resistência nos idos de 70, quando os indesejáveis ditadores de plantão faziam uso da seleção para que o povão esquecesse as mazelas do autoritarismo.
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Por favor, amigo leitor, senta que lá vem história.
Lembranças, lembranças…
Também pode ter sido um sonho sonhado, desses que se sonha juntos.
Sonho sonhado e prazerosamente vivido.
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Pois saiba quem me honra com a leitura deste post/crônica na manhã deste domingo da grande final da Copa do Mundo de 2026 que…
… no dia em que fomos mais felizes, era também um domingo, 21 de junho de 1970.
Concientemente iludidos ou não, a verdade única e verdadeira é:
Aquele time de Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho & Cia fez a Nação encantar-se , independente de ideologias e, num momento em que, mesmo com todos os pesarosos pesares, podíamos ousar o sonho de um dia ser mesmo uma verdadeira Nação, dessas em que se escreve com a letra N em caixa_alta para identificar o sentimento uno e indivisível de uma socidedade fraterna e justa que, digamos, imagina e crê no sonho coletivo do Bem Comum.
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Naquele fim de tarde de domingo,
… saímos então às ruas, em caudalosas multidões, a cantar a marchinha ufanista (“Todos juntos/Vamos/Salve a Seleção”), mas não só. Delírio coletivo. Outros sambas explodiram na boca do povão. O mais popular deles era o de Paulinho da Viola, o transcendental “Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida”.
Fazia enorme sucesso à época.
Eu tinha 19 para 20 anos.
Fui no embalo da turma – e, das ruas do Ipiranga, levado não sei bem como, nem por quem (pode ser de carona num jipe antigo, sem capota?), acabamos, eu e os meus, no meio da turba dos contentes que inundava de felicidades pela Avenida Paulista.
Éramos tricampeões do mundo!
Imbatíveis, e insuperáveis. Simples assim.
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Não esqueço a cena.
Os batuqueiros de alguma escola de samba da cidade ‘puxavam’ o eufórico baticum e arrastavam muitos e tantos, milhares talvez.
E assim as pessoas se sacolejavam como podiam e seguiam num passo miúdo, cadenciado, algo trôpego para onde a vida e a alegria daquela conquista nos levasse.
Sem rumo, sem prumo (que muitos já estavam bem calibrados), sem qualquer orientação, na base do vamos-que-vamos, encampamos a rua Augusta em nosso trajeto improvisado e mambembe.
O trânsito parou no espanto, o tal do ‘leito carroçável” era dos sacudidos das quebradas dos mundaréus.
Ali, pelo Baixo Augusta, nas imediações da Praça Roosevelt, me pareceu ver o dramaturgo Plínio Marcos em frente a um boteco.
Olhei porque alguém gritou:
“Olha lá o Plínio Marcos, Ali, ali!”
Olhei…
Sinceramente, não tenho certeza de que era ele mesmo.
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Certeza, certeza, mesmo…
Foi o encontro com o Darci, amigo de infância, lá dos tempos em que morei no Cambuci.
Era um dos batuqueiros. Fazia o ‘gurugudum’ do contrassurdo.
Sorria feliz.
Quem ali não estava em estado de graça?
Perguntei por perguntar.
“E aí… De onde saiu esse batuque?”
– Da Liberdade, Carlinho (no Cambuci, me chamavam meu segundo nome, Carlos. Como havia um goleiro no time do João Bicudo que também se chamava Carlos. Eu, um esforçado beque direito, passei a ser o Carlinho).
“Do bairro da Liberdade?”, repeti.
E ele, todo prosa:
– Somos a Escola de Samba Grêmio Recreativo Cultural Caprichosos da Liberdade.
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Eita que nome mais lindo.
Eita lembrança que não se apaga!
Caprichar na liberdade de ser feliz. Sempre.
(Apesar de todos os pesares. E de olho grande na final Espanha e Argentina.)
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TRILHA SONORA
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Nota do Blogueiro:
Falei, falei, falei tanto no post de ontem – Placar bailarino: 6 x 4. Inglaterra em 3° – e esqueci de dizer:
O terceiro lugar que a Inglaterra ontem conquistou foi a melhor colocação dos ingleses desde 1966 quando foram campeões do mundo pela primeira e única vez.
E lá se vão 60 anos!
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