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São Paulo e a Copa

Caros,

Preciso lhes dizer: faz uns três dias que não durmo em paz.

(Desconfio que acontece o mesmo com vocês.)

Acordo alta madrugada a enfrentar a carranca do ministro de Esportes esbravejando contra São Paulo, pois a cidade – e conseqüentemente os habitantes — não está dando a devida atenção aos preparativos da Copa 2014.

Sinto-me ao desamparo pelos brados da justíssima autoridade.

Só fico um tantinho mais aliviado ao persignar-me e, em alto e bom som, dizer:

É minha culpa.

Minha culpa.

Minha máxima culpa.

Como deixamos tal fato acontecer?

Já perdemos a Copa das Confederações e o Centro de Imprensa.

Deus! Agora, pelo que deduzo da merecida repreensão, estamos prestes a ser defenestrado da honra magnânima de sediar a partida inaugural. Assim, nos caberá, pelo que entendi do ralho que levamos, papel secundário no maior de todos os eventos.

É isso mesmo, meus caros, a maior cidade da América Latina e uma das quatro maiores do Planeta será apenas um ponto sem expressão no mapa mundi da bola.

Ó dia, ó mês, ó azar!!!

Tudo porque não correspondemos aos santos ofícios que a dignificante Fifa nos pautou.

Só hoje começaram – ainda que timidamente – as obras do Itaquerão que, aliás, foi aprovado como palco da Copa mesmo sem existir.

Não entendemos a grandeza da iniciativa.

Entendo, neste momento, o teor da medida.

Dá para perceber o quanto a estóica Fifa confiava em nós.

Temos alguns estádios que entendíamos de razoável para bom, como o Morumbi e o Pacaembu, e até mesmo uma Arena Palestra Itália em construção… Mas, a louvável Fifa queria o melhor para nós.

Um estádio novinho em folha…

Pena que não entendemos tamanha preocupação. Tamanha generosidade…

Certa vez, o jornalista Fernando Calazans cunhou a seguinte frase (que hoje o mundo do esporte entende como uma verdade definitiva): — Se Zico não ganhou a Copa do Mundo, pior para a Copa.

Dá para dizer o mesmo sobre essa cantilena que se arrasta sem fim (ou com o fim previsível):

Se São Paulo não tiver jogos da Copa, pior para a Copa.

Ficaremos livres de (in)certos senhores, mazelas e azares…

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