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Brevíssimas 23

Queiroz e Espanhol formavam a inesquecível linha de frente do ataque do Santos Futebol Clube do Cambuci nos idos dos anos 60.

Uma espécie de Messi e Villa para a garotada do Cambuci que, nas manhãs de domingo, ia vê-los jogar uma bola redonda no então gramado do Distrital do Jardim da Aclimação, onde o Santos e outros times varzeanos dos dois bairros mandavam seus jogos.

Nas minhas lembranças de menino sonhador, eram tão craques quanto os que envergavam as camisas dos clubes profissionais.

(E olhem que falo de um tempo em que havia o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras de Ademir da Guia.)

II.

Melhor ainda : eram pessoas comuns, próximas de nós; presentes no dia-a-dia do bairro.

Podíamos encontrá-los na sede do clube, na antiga rua Piaí, ou mesmo nos bate-papos de fim de tarde na calçada da padaria da Almeida Torres com a Muniz de Souza.

O Queiroz, poucos anos mais velho que nós, estudava na mesma escola que a gente.

Era o nosso ídolo, o craque do time.

III.

Não sei…

Acordei pensando nisso hoje ao ler a apologia ao futebol-arte do Barcelona nas páginas dos jornais paulistanos.

Parece que vem aí uma geração de garotos que deixará de torcer por clubes brasileiros em função do futebol globalizado, via TV e que agora também invade as salas de cinema em 3D.

Duvido, mas não acho impossível.

Acho apenas estranho.

Tão estranho quanto jogar futebol no videogame.

Será que caminhamos inexoravelmente para tamanha virtualidade?

IV.

Enfim, como ensinou o mestre Mário Quintana:

“As únicas coisas eternas são as nuvens."

E as lembranças, eu acrescentaria modestamente.

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