O presidente Lula na hora do voto. Foto: RS/Fotos Públicas
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Meus caros e preclaros,
Vou lhes dizer, e o digo com pesar.
Não me foi surpresa o resultado das urnas ontem.
“O Brasil tem um enorme passado pela frente”.
Obviamente que a frase não é minha.
Dou crédito a quem de direito: Milton Viola Fernandes, extraordinário pensador das coisas e das gentes brasileiras, popularmente conhecido como Millôr Fernandes (1923/2012).
Enfim…
Enquanto acompanhava pela TV o pinga-pinga da apuração de votos pelo Brasil (ô tortura!), alinhavei a história que planejei hoje lhes trazer aqui no Blog. Coisa das antigas, de tempos imemoriais, como tanto gosto de fazer.
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Vamos à historieta:
Idos dos anos 70. Eu era aluno de jornalismo da Universidade de São Paulo, morava no Ipiranga e trabalhava na periferia da cidade de Guarulhos – Grupo Escolar Jardim Moreira, é mole?
Nessas idas e vindas, sempre de ônibus (eram 8 por dia), acabei no limbo do número de faltas nas aulas do professor Egon Chaves, se não me engano era Antropologia da Comunicação.
Antes que a corda arrebentasse de vez, tomei coragem e fui falar com o professor para que fosse compreensivo com os meus atrasos e eventuais futuras faltas.
O professor foi objetivo – e luminar – na resposta.
Disse ele:
“Entendo perfeitamente a situação, meu rapaz. Mas, se você não estiver na classe, tenho que lhe dar falta. É meu dever.”
E acrescentou:
“Somos as nossas escolhas.”
Entendi o recado, e estava saindo de fininho, quando o mestre completou, sem alterar a voz ou levantar os olhos por trás dos óculos de aros redondos e finos:
“Somos as nossas escolhas, mas pagamos pelos nossos equívocos”.
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TRILHA SONORA
Faço o registro musical que, creio, seja hoje oportuno.
Aproveito-me da homenagem que Oswaldo Montenegro fez ao cantor e compositor paulistano Walter Franco (1945/2019) em show relativamente recente. Uns cinco, seis anos atrás…
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Cabe o esclarecimento.
“Canalha” foi a grande sensação entre as músicas que participaram do Festival de MPB que a TV Tupi realizou em 1979. Foi o próprio autor que a defendeu. O auditório quase vinha abaixo quando o autor e intérprete respirava fundo e gritava a plenos pulmões:
“É uma dor… CANALHA!”
Era uma catarse que diziam ser um grito contra o nefasto autoritarismo de então.
Esse mesma que, com disfarce mequetrefe, emerge das redes sociais e das urnas – e, ameaçador, nos espreita…
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Analy Cristofani
5, outubro, 2026Minha dor já tava me encolhendo a quase nada. Com a trilha de Oswaldo Montenegro e a força dessa canção, desapareço por segundos…