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A realidade e a lenda

Foto: Jô Rabelo

Minha irmã Doroti me faz a provocação a partir de texto que escrevi sobre a cantora Vanusa.

Ela me pergunta assim como não quer nada, mas sabe-se lá com qual intenção:

Se o propalado romance entre Antônio Marcos e a cantora é um desses amores que nunca terminam assim como descrevi no e-book Notícias de Um Romance Inacabado que publiquei, mês passado, pela Amazon?

Mana, como posso saber?

Para ser sincero, mal e mal consegui narrar as desventuras de Dino e Dagmar nas mais de 120 mil palavras do livro que escrevi.

Olhe, irmã, conheço relativamente bem os figuras. Acompanhei o desenrolar de algumas idas e vindas. Fui, digamos, confidente do cabrão em outras.

Só lhes dei outros nomes pra não bandeirar a vida de ambos, pois sabe-se lá o futuro de cada um deles e o nosso mesmo. É ou não é?

Pois então…

Alguns chamam esses amores que não terminam de amores mal-resolvidos.

Enfim.

Quanto aos saudosos cantores, sei muito pouco.

Acompanhei assim à distância e sem lá grande interesse à época.

Vanusa era uma cantora intuitiva, visceral.

Toninho (apelido do cantor em São Miguel Paulista, seu bairro de origem) era um desses artistas que cultivam como marca registrada um exacerbado romantismo nas canções e na vida.

Que formavam um casal interessante, ah, isso formavam, sim!

Chamavam a atenção do grande público.

Um atração à parte para as revistas e colunas de TV de então.

Se houve um “para sempre” entre eles, sinceramente não sei.

Penso que eles se foram e levaram a resposta.

Se esses romances inacabados existem – e andam pelaí na calada dos corações?

Não sei hoje em dia.

Imagino que sim.

O mundo mudou, é bem verdade.

Vivemos tempos dos chamados sentimentos líquidos, imediatos.

No passado, consta que eram bem mais comuns.

Vou lhe dar um “por exemplo” extraído do livro Quando fui outro, de Fernando Pessoa. Editora Alfaguara/2006

Confira!

O poeta conheceu Ophélia Queiroz em fevereiro de 1920. Em 1° de março iniciaram uma troca de correspondência e o namoro. Em outubro, o poeta atravessa uma grave crise psíquica, pensando mesmo em internar-se, até que em 29 de novembro rompe com Ophélia. Nove anos depois, ela escreve a Pessoa agradecendo a foto que o poeta lhe enviara, a seu pedido. Em 11 de setembro de 1929, ele responde e retoma a relação com Ophélia, rompida novamente, e em definitivo, em janeiro de 1930. Em junho de 1935, ela recebe o último telegrama de Pessoa e mais à frente um exemplar autografado de Mensagem. Em 1938, casou-se com o teatrólogo Augusto Soares, morrendo em 1991, aos 91 anos. No total, foram 51 cartas destinadas a Ophélia: 36 entre março e novembro de 1920; 12 entre setembro de 1929 e janeiro de 1930; e três sem data.

Eis aí, irmã,

Os biógrafos e estudiosos apontam Ophélia como o único amor na vida de Pessoa.

Afirmam que a recíproca era verdadeira.

Entre a realidade e a lenda, nesse caso, imprima-se a lenda.

Fiquemos, pois, com a definição do poeta:

A vida é breve, 

a alma é vasta.

 

 

 

 

 

 

 

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