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Canta Brasil

O País vivia os estertores de um período ditatorial. Havia sinais de que caminhávamos neste sentido. A anistia (77), as greves do ABC (a partir de 78), o fim da censura (79) e as propaladas eleições para os governos estaduais marcadas para o fim daquele ano (82) e outras conquistas nos davam a entender que sim. Mas, não havia uma regra clara do que podíamos ou não podíamos fazer.

O episódio do Rio Centro em 81 era a prova cabal.

Estava programado para o 1o de maio daquele ano um grande show musical no Rio de Janeiro. Reuniria a nata da MPB, estudantes e lideranças políticas e sindicais. Naturalmente, essas forças reunidas pediriam pacificamente – mas, com firmeza – por democracia. Ampla, geral e irrestrita.

Um grupo paramilitar resolver agir. Mas, não conseguiram completar a operação. Uma bomba explodiu no colo de um militar enquanto seu chefe manobrava o Puma no estacionamento do Rio Centro, onde seria o show. Outras duas bombas foram interceptadas em outras dependências da Casa. O policial morreu – e o Exército teve que dar explicações. Mesmo assim, ainda se temia uma nova ação desses radicais.

Por isso, quando se anunciou a realização do Canta Brasil, alguns acharam que era cutucar a onça com vara curta. Seria em fevereiro em São Paulo, no Estádio do Morumbi. Quase duas dezenas de intérpretes confirmaram presença. Mas, havia um risco. Por isso, entenderam que este era um espetáculo/desafio.

Outro fato relevante. Ainda vivíamos o estupor da morte de Elis Regina, ocorrida em 19 de janeiro. Era mesmo um momento singular da história da nossa canção popular e do Brasil.

No ícone Leia Esta Canção a reportagem que fiz do encontro:
UMA GRANDE FESTA EM NOME DA MPB E DO PAÍS, 12.02.1982

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