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Deixa a vida me pautar

Acreditem ou não, este blog, que hoje completa dois anos de existência, caiu do céu. [explico.

Foi concebido a bordo de um avião a 9 ou 10 mil metros de altura. [não desci para conferir, óbvio.

Voltava de Brasília, logo após a Semana da Pátria, onde ‘queimei’ os feriados em um Congresso de Comunicação. [preciso lhes dizer que não andava lá muito feliz da vida, não; nem o fórum foi lá muito proveitoso.

Numa pequena agenda de telefone, comecei a rascunhar as mudanças que faria no site [que existia há dois anos, sem espaço para atualizações.

Alguns alunos me cobravam um maior dinamismo do meu portal. Muitas vezes, procuravam por histórias e fatos que lhes contava em sala de aula – e nada. [também enfrentava a zueira dos amigos que clicavam ali e não encontravam nada de novo e, ainda por cima, me viam na foto a lhes sorrir jovem, e de cabelos escuros.

— Ninguém merece, diziam.

Tomei coragem e pedi uma reformatação para o Thiago Stipp, dileto sobrinho que projetou e criou minha página na internet em 2004. [quando completei 30 anos de jornalismo.

A idéia do blog nasceu naturalmente a partir da necessidade de ter algo novo todos os dias. A princípio me pareceu distante. [nunca fui além de um repórter vira-lata que começou a carreira ainda no tempo do chumbão e das laudas.

No entanto, por mais que alterasse a nomenclatura das seções ou imaginasse novos ícones, não conseguia vislumbrar o caminho da tal atualização. [vital na internet, segundo comentários que ouvia.

A comissária me ofereceu um café – e decidi fechar o caderninho e dormir o que restava do vôo. Foi quando me lembrei que estava afastado das redações há três anos. [colaborava aqui e ali, com algum texto, mas não era a mesma coisa de escrever diariamente, como fazia até então.

Além de distante, o blogar me pareceu, então, trabalhoso e desafiador. [não sei explicar, mas me bateu a zonzeira gostosa ao me sentir um Rubem Braga da modernidade.

Lembrei que, de alguma forma, já fazia isso. Possuía uma coleção de umas 30 crônicas que escrevia por escrever e enviava, via email, para os amigos. [uma delas, de nome Brevíssimas, juntava o internetês com o sentimento das crônicas que é um genro jornalístico tipicamente brasileiro.

Estava aceito o desafio. [viraria blogueiro depois dos 50 e tantos.

Foi então que naquela manhã de 25 de setembro postei meu primeiro texto. Desde então dei de parafrasear o mais famoso samba do Zeca Pagodinho e deixo a vida me pautar. [vida pauta eu…

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