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Fala, mestre

Trecho de entrevista do jornalista Ricardo Kotscho ao portal BBC Brasil:

“Sempre se discute a neutralidade do jornalismo, a imparcialidade do jornalismo. Eu não acredito nesses chavões, a grande imprensa sempre diz isso, que eles são imparciais. A partir do momento em que a Dilma disparou nas pesquisas e todos os institutos mostraram que ela pode ser eleita no primeiro turno, a impressão que me dá é que bateu um desespero, tanto na campanha da oposição, que radicalizou no discurso, quanto na mídia. E no Brasil hoje, a grande mídia, a velha mídia, ela se confunde… você não sabe onde termina o Jornal Nacional e onde começa a campanha do Serra. Acho que virou uma questão pessoal dos jornalistas e dos donos dos meios de comunicação com o Lula. Eles simplesmente não admitem que Lula tenha sido eleito, reeleito e agora esteja fazendo um sucessor.

Nesta semana, tive uma conversa com o presidente Lula e disse a ele que achava que ele não deveria entrar nessa guerra, não deveria falar da imprensa, deveria esquecer a imprensa. Os dois lados estão errados, acho que o presidente da República não tem que ficar todo dia falando da imprensa, criticando a imprensa.

E, do outro lado, a imprensa não pode ser um partido político, agir como um partido político, que é o que está acontecendo. Nesta semana, houve dois atos públicos em São Paulo. Um em defesa da democracia, da liberdade de imprensa, como se a liberdade de imprensa estivesse ameaçada, e outro, no Sindicato dos Jornalistas (de São Paulo), uma manifestação dos partidos aliados do governo e do movimento sindical, contra o golpismo midiático, contra esses órgãos de imprensa que estão fazendo campanha a favor do Serra e contra a Dilma.

Este é o momento que estamos vivendo agora. Eu não gosto disso, acho que não é bom para o país, não é bom para a democracia brasileira. Mas não é como alguns tentam fazer parecer, que estamos à beira de uma guerra civil, que a democracia está ameaçada, isso não existe. A liberdade de imprensa não está ameaçada. Você pega qualquer veículo, liga qualquer TV, ouve qualquer rádio, nunca tivemos tanta liberdade quanto temos hoje. Eu acho que essa liberdade está sendo abusada, mal usada.

(…)

Não, não (defendo) um limite para a liberdade de imprensa. Eu defendo a autorregulamentação da profissão. O espírito do Conselho Federal de Jornalismo, de cuja discussão eu participei quando estava no governo, era o de criar uma entidade – como há em todas as profissões no Brasil – para zelar pela profissão, em defesa da própria profissão e em defesa da sociedade. O modelo que eu acho que funciona muito bem, que nós temos há 30 anos no Brasil, é o modelo do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Com o fim da Lei da Imprensa, que todo mundo era contra, que era da época da ditadura, não ficou nada no lugar.”

* Só para lembrar: Kotscho é um dos grandes nomes do jornalismo investigativo brasileiro.

** FOTO NO BLOG: Jô Rabelo

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