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Marcos do jornalismo brasileiro – 2

Foto: Reprodução do site Papo Cultura

Continuemos com a aula – ops, a crônica de hoje que ainda tem como foco uma brevíssima história do jornalismo brasileiro.

Ontem paramos na decretação do AI-5, dezembro de 68, que impactou fortemente a liberdade de expressão e, consequentemente, jornais e jornalistas.

Pois, então, meus caros, as duas décadas seguintes – os anos 70 e 80 – foram marcados por corajosa luta da Imprensa pela redemocratização do país.

De pronto, mesmo os veículos que até então davam apoio – ora constrangidos, ora abertamente – ao regime vigente passaram a lhe fazer oposição.

Estabeleceu-se a censura prévia nos principais jornais e revistas.

Como resposta, os dois jornais da família Mesquita (inicialmente simpática ao Golpe de 64) passaram a se rebelar contra a ação dos censores instalados nas redações. Tudo passava pelo crivo desses senhores. Não concordavam com isto ou aquilo, tacavam o canetão vermelho sobre o texto proibido.

Como resposta à devastadora ação,  adotou-se a seguinte postura: toda vez que uma reportagem era vetada e cortada, em seu lugar os editores passaram a publicar versos de Camões (no Estadão) e receita de bolo (no Jornal da Tarde).

Era um troço um tanto surreal. Você estava lendo uma matéria normal; de repente, aparecia ali os ingredientes de um bolo de laranja e como fazer, tipo:

“Bata por 20 minutos e leve ao fogo brando.”

Para o leitor minimamente atento, estava claro o estrago da tesoura naquele trecho da reportagem.

Um marco trágico na história do Brasil e do jornalismo brasileiro.

Outubro de 1975. São Paulo, Capital. Morre o jornalista Vladimir Herzog nos porões do DOI-CODI vitimado por grupo paramilitares que se opunham à então chamada abertura democrática.

É a primeira arbitrariedade a escapulir da ação dos censores e dos cães de guarda do que intitulavam de  ‘ordem pública’.

O jornalista Mino Carta, então diretor de Redação da revista Veja, deixa o cargo e funda a Istoé:

“Tive um grande envolvimento com este episódio (na tentativa de evitar o trágico desfecho). Entendi ali que o País precisava de um jornalista e não apenas de um profissional de imprensa.”

No livro Castelo de Âmbar (2000), Mino escreve na pelo de seu auter-ego Percúcio Parla:

“A morte de Vladimir Herzog é o ponto de ruptura. Mino sabe que a sua concepção de jornalismo já não se justifica à sombra da arvorezinha, símbolo da Abril, e o impele na direção de outras experiências.”

Durante encontro com estudantes na Universidade Metodista, em 2005, o diretor de Redação da Carta Capital retomou o tema e acrescentou:

“Naquele momento, apesar de tudo, apesar dos riscos, sentíamos uma grande esperança. Acho que a morte do Herzog é um ponto de partida muito importante. As contradições da ditadura começam efetivamente a se definir e a se revelar.”

Ainda nos anos 70, tivemos a atuação da chamada Imprensa Alternativa com a circulação de semanários combativos como Ex, Opinião, Movimento, entre outros. Tinham função eminentemente política – de denúncia e oposição ao militarismo – e eram feitos por jornalistas, intelectuais e ativistas políticos.

Não se submetiam à censura prévia.

E eram perseguidos ferozmente pelos grupos de apoio ao governo ditatorial.

Como não tinham sede fixa e eram impressos em gráficas desconhecidas, a estratégia para dizimá-los foi explodir as bancas de jornais que se dispusessem a vendê-los e/ou distribuí-los.

Não tiveram vida longa.

A partir de 1979 – e até 1984 – teve origem o abrandamento da censura prévia nos jornais e revistas. O que só se configurou oficialmente em 1988 com o outorgamento da Constituição Brasileira.

Os anos 80 chegam com a implementação da chamada Era das Mídias.

Traduzindo: o jornalismo impresso começa aqui a perder espaços para a chamada mídia eletrônica. Até então tendo como principais plataformas o Rádio e a TV.

Os avanços de novas tecnologias – mais leves e ágeis – fazem com que esses dois veículos se antecipem na divulgação das notícias do dia.

Quando os jornais chegam às bancas, o eventual leitor já está previamente informado do que aconteceu.

Alguns pressupostos são fundamentais para tanto:

  • a popularização das FMs;
  • as emissoras AMs, muitas, se assumem como prestadora de serviço. Ou seja, mais espaço para o jornalismo;
  • a distensão democrática;
  • a disseminação dos debates políticos na TV;
  • a retumbante audiência do Jornal Nacional;

Óbvio que este fenômeno toma fins mais contundentes com o boom da internet no decorrer dos anos 90.

A web foi uma tijolada no mosaico do fazer jornalismo.

E todos, desde então, estamos aprendendo diariamente como fazê-lo.

Se me permitem uma opinião, menos opinião e mais reportagens, amigos.

Volto ao assunto proximamente…

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