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Meu amigo mora na Bélgica

Torcida amiga, bom dia!

Meu amigo Nestor mora na Bélgica.

Desconfio que nos arredores de Bruxelas, ou algo próximo.

Vive há tantos e tantos anos lá que mesmo os belgas não o veem mais como um estrangeiro.

(…)

Quando éramos moleques e morávamos na rua Muniz de Souza, o apelido do Nestor era Galego pela cabeleira aloirada que exibia. Havia rumores que ele e a família vieram do Nordeste, Pernambuco, talvez.

Nunca perguntamos.

Garotos – ao menos, naquele tempo – não se importavam com origens, tom de pele, cor de cabelo ou coisas do tipo. Bastava ser bom de bola que logo se entrosava no grupo, e o Galego era um valente médio-volante, como se dizia então.

Penso que foi esse passado remoto – mas, sempre presente na memória de nostálgicos como eu e o próprio Nestor que só fui reencontrar há uns quatro, cinco anos em Lisboa – que fez o amigo me mandar um e-mail pedindo notícias de como foi a repercussão da derrota do Brasil para a Bélgica no Mundial.

(…)

Diz ele que os próprios belgas, embora entusiasmados com o que chamam de geração de ouro, não acreditavam firmemente na vitória.

“Fizeram uma festa danada. Bem do jeito sem jeito deles. Beberam, vibraram, comemoraram entre surpresos e incrédulos com o que acabavam de presenciar.”

-E a turma aí, aceitou? Ou começaram a procurar um culpado?

(…)

Nestor me diz que ficou horrorizado com o tom de deboche – inclusive na Bélgica – às atuações de Neymar dado pela imprensa europeia.

Ele conhece bem este sentimento, assinala.

“Tem muito de soberba, outro tanto de preconceito.”

O fato de Neymar esnobar o Barcelona, de estar fazendo o mesmo agora com Paris, mesmo com todas regalias que possui, é visto como uma afronta aos usos e costumes locais.

(Há notícias de que o staff do jogador negocia uma possível transferência para o Madrid, que estaria perdendo CR-7 para a Juve da Itália)

Por experiência própria – mas, sem qualquer rancor, pois está na Bélgica há mais de 40 anos -, o amigo assinala:

– Sei bem como os sul-americanos são vistos por aqui. E independe de classe social, viu? Gostam de estigmatiza-los se por um motivo ou outro não se encaixam nos padrões que imaginam para eles.

(…)

Respondo ao amigo que essa desclassificação foi doída, mas não repetiu o descalabro de 2014.

Aquele malsinado 7 a 1 ainda ressoa na alma da gente, digo.

Nestor, então, quis saber se nossos colegas jornalistas defenderam o craque por aqui.

Deixo o questionamento sem resposta.

Como poderia explicar ao amigo distante que muitos de nossos supostos comentaristas foram ainda mais reacionários e toscos que os gringos. E que, por aqui, continuamos com a eterna mania de não saber perder e só nos confortamos quando achamos um culpado para o fracasso.

Pior que é assim no futebol – e na vida.

A propósito, um samba de Cartola de quem Nestor é ardoroso fã…

*(Foto de Neymar: Lucas Figueiredo/CBF)

 

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