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Meus tipos (2)

V.

Continuei minha caminhada a recordar outras situações que vivi vida afora.

Certa vez, esperava uma carona de alguém em frente ao prédio onde moro – e percebi que uma jovem senhora me olhava insistentemente.

Ela já se encontrava na portaria quando cheguei, mas penso que não se deu conta que sai pelo portão da garagem. Porque, passado alguns minutos e me vendo ali de bobeira, ela se aproximou e me perguntou com forte sotaque de americano:

– O senhor é o marceneiro?

Disse que não – e ela se afastou, toda sorridente,

Dias depois, soube que era uma nova moradora do prédio.

Contei essa história, tempos depois, para o Escova que foi enfático. Se fosse com ele, só esclareceria o mal-entendido lá em cima, no interior do apartamento da moça.

– Quem sabe não dava jogo?

O Escova é um patife, concordo. Mas é meu amigo.

VI.

Nos tempos em que trabalhei com o Padre Brito – editávamos o jornal O
Carpinteiro, na Paróquia São José do Ipiranga – também se vivi situação semelhante.

Antes de começar os trabalhos daquela manhã, passei pela igreja para ver se o Padre Brito estava por ali e também para rezar um tantinho – nunca é demais pedir proteção aos Céus.

Estava entretido contemplando as pinturas de uma das primeiras igrejas do Ipiranga, quando uma senhora me abordou, com ares aflitos e me perguntou:

– O senhor é padre?

Não era, e não sou. Mas, fiquei feliz por exalar ares de santidade.

VII.

Enquanto caminhava ia lembrando essa e outras histórias, mas uma questão, confesso, ainda me incomodava: quem seria o tal Ademir a quem a senhora de referira?

Ademir é um nome antiguinho. Faz jus aos meus sessenta e tantos.

Seria professor, como eu?

Dentista?

Síndico de algum prédio na região?

Seria uma pessoa respeitável e de fino trato?

VIII.

Batucava essas bobagens na minha cabeça quando meu filho chegou e deu o
toque que já era hora de ir.

Concordei na hora por dois motivos:

1 – Eu estava na faixa dos quatro quilômetros de caminhada; e ele bem mais, pois correra o tempo todo.

2 – Vai que o tal do Ademir fosse alguém listado na Operação Lava Jato ou coisa que o valha.

Nunca se sabe, é ou não é?

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