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Mídia e democracia **

Uma verdade inexorável.

O mundo vive um momento de transição – e nós, jornalistas, somos artífices de peso nessas mudanças. É básico: o mundo só existe para uma pessoa se ela se informar sobre. Uma pessoa só existe para esse mundão globalizado e desigual se estiver informada sobre o que acontece aqui, ali e acolá.

Mais do que um jogo de palavras trata-se de uma verdade absoluta que as novas tecnologias e os avanços científicos tendem a consolidar, para o bem ou para o mal.

Ou quem estaria interessado naquela comunidade de sertanejos que vive isolada na Serra da Bocaina, entre os três principais estados brasileiros – São Paulo, Minas e Rio – que sequer acesso à rede elétrica possui? Em que mundo, em que tempo, eles vivem?

No embalo dessas mudanças, nossa profissão também está se transformando. Por alguns fatores, a saber:

01. a adoção dessas novas tecnologias aplicadas a informar cada vez mais instantânea e superficialmente;

02. as novas ‘especialidades’ de exercício do jornalismo. Hoje, o jornalista cabe no dia-a-dia dos portais, nas assessorias de imprensa, nas organizações, nas redações cada vez mais enxutas e até na produção do Big Brother;

03. a nova rotina das redações. O email, o telefone, o realese vêm pautando os noticiários bem mais que os repórteres que antes saíam às ruas à caça de notícias;

04. a profissão ganhou um glamour que não possuía, exageremos, até a década de 70. Em alguns momentos – ou em muitos momentos – dá prestígio aparecer como jornalista em alguns segmentos sociais;

05. os interesses no PODER cada vez maior e abrangente da Mídia.

Eis o desafio que nós, das escolas de jornalismo, enfrentamos ano a ano. Preparar levas e levas de estudantes – em torno de 10 a 12 mil em todo o País – para o exercício dessa complexa profissão que se renova a cada manhã, quando um novo jornal precisa estar nas ruas com as notícias de ontem. Ou seria as de hoje?

Esses meninos e meninas chegam cada vez mais cedo às universidades. Importante destacar também: não tem uma visão clara do que é a profissão. Muitos sonham em ser ‘a moça do tempo’ ou o cronista esportivo das noites de domingo. Outros preferem trabalhar numa ONG ambientalista. Alguns se imaginam o bem-remunerado assessor de imprensa de uma multinacional ou traçam um plano de vôo na área da pesquisa comunicacional.

Há ainda uns ‘gatos pingados’ que sonham ser repórteres-repórteres, desses à moda antiga, que saem para rua sem uma pauta determinada a lhes engessar o passo, o texto, a alma…

Com essa pauta, a Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo realiza anualmente o Encontro de Jornalismo, com a participação de jornalistas de diversas áreas. Eles vêm à Universidade para promover a integração deste dois mundos – academia e mercado. Mais do que isso, fazer com que o diálogo entre eles esclareça e complemente a formação desses jovens sonhadores.

** Texto de abertura do 5º. Encontro de Jornalismo realizado de 25 a 27 de setembro de 2006, no auditório Sigma do campus Rudge Ramos, São Bernardo do Campo. Foi publicado no número 8 da Revista Estudos de Jornalismo & Relações Públicas da Fajorp que circulou em dezembro passado. Só hoje lembrei de postar.

Participaram daquele encontro os seguintes jornalistas: Paulo Vinicius Coelho (ESPN Brasil/|Lance), Brian Mooar (NBC News Channel), Ricardo Kotscho (Globo Universidade), Fernando Rodrigues (Folha de S. Paulo), Haisen Abaki (Rádio Bandeirantes), Celso Teixeira (TV Record), Adalberto Piotto (CBN), João Bittar (revistas Época e Quem) e Antônio Prada (Portal Terra).

O tema foi Mídia e Eleições.

* Sobre o mesmo tema, leia também “Mídia e Democracia”, do jornalista Ricardo Kotsho, no ícone Uns & Outros.

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