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O futuro que hoje começa

Foto: Jô Rabelo

“ONDE TEM CULTURA

TEM FUTURO”

Assim em caixa alta, para chamar a atenção de todos que passam, mesmo os mais distraídos como eu, a Prefeitura aqui onde moro, São Bernardo do Campo, espalhou outdoors e faixas na área central da cidade com os dizeres acima.

Faz sentido, penso.

E faço gosto que assim pensem.

Saudemos o futuro que hoje começa!

Soube depois que, na verdade, trata-se de parte de uma campanha de divulgação da inauguração da Fábrica de Cultura (no espaço onde seria o Museu do Trabalhador) e vem a calhar para a reabertura, neste fim de semana, do Parque da Juventude. Este, sim, um espaço famoso, até pr’além das fronteiras sambernardenses, pois é ali que se situa uma das mais importantes pistas de skate do país.

Foi o que ouvi dizer, não sei se há exageros no dimensionamento da tal pista, ok?

Não tenho idade para manobras radicais, como bem sabem meus amáveis cinco ou seis leitores.

Mesmo assim me informaram que o espaço passou por um processo de reforma e revitalização importantes e será inaugurado dia 7, com direito a show de rock, eventos e muito mais.

Parece que a meninada vai se divertir.

Tomara – e na paz!

Sou um homem vulgar, do Cambuci.

Tento ser de boa fé com todos.

Mas, porém, contudo, todavia…

Fico torcendo para que o tal lema seja mesmo pra valer. Valorizar nossa cultura é fundamental.

Torço também para que não seja apenas uma jogada promocional.

O prefeito em exercício de SBC é do mesmo partido do governador do Estado, o tal que reinventou o PSDB. O governador, aquele mesmo, o que se auto-intitula João Trabalhador, que adora ‘bombar’ nas redes sociais e cultua a imagem de “bom de marketing”.

Aquele que hoje disse que a Polícia Militar “cumpriu o protocolo” na trágica ação, de sábado à noite, na comunidade Paraisópolis, onde morreram nove jovens “quase todos pretos ou brancos, de tão pobres, quase pretos”.

Desculpe aí, amigos, gente.

Inverti o que mandam os cânones do bom jornalismo.

Mudei de assunto, sem avisar – e nem sei se faz sentido juntar os fatos.

Tragédias como esta me deixam assim, atarantado e triste, por não vislumbrar qualquer solução real a curto e médio prazo.

E lá em cima falamos de futuro…

Espero que me perdoem a mudança de tom. Perdoem também pois não conseguirei dar um final feliz para esta crônica, como tento fazer sempre que escrevo. Hoje convivo com um travo amargo só comparável a sisudez desta segunda chuvosa. Que só me inspira a letargia dos covardes, omissos, cúmplices.

 

 

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2 Responses
  • THEREZINHA GOMES BALLESTEROS
    2, dezembro, 2019

    Vc não é vulgar, vc é sensato! Concordo com maioria das suas crônicas. Não curto o estilo musical que vc coloca. Mais cada um têm um gosto, e por isso respeito sua escolha. Um abraço.

  • clarice falasca
    2, dezembro, 2019

    O que se pode esperar depois de certos comentários de certas autoridades? Tá difícil esperançar…

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