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Os homens das latinhas

Ontem, em uma aula de História do Jornalismo, com enfoque para a evolução do jornalismo esportivo, lembrei aos alunos as equipes de jornalistas que transmitiam jogos de futebol nas tardes de domingo ao vivo pela TV.

Nem vídeo tape existia, imaginem.

A equipe da TV Record, por exemplo, era formada por Raul Tabajara (narrador), Paulo Planet Buarque (comentarista), Flávio Iazetti (comentarista de arbitragem), Sílvio Luiz e Reali Júnior (repórteres de campo).

Ou seja, uma estrutura exatamente igual às equipes de hoje.

Naqueles idos, a tecnologia era rudimentar. Aparelhos pesados, de difícil manuseio. Todos os lances da partida eram captados por uma única câmera. Na cabine, os profissionais dividiam, muitas vezes, o mesmo microfone. Os repórteres de campo se enrolavam em quilômetros de fios plugados a microfones que tinham o formato de uma lata de óleo.

É notável o avanço tecnológico dos equipamentos. As 18 câmeras que tudo olham e tudo vêem, nos mínimos detalhes. A profusão de microfones, de todos os tamanhos e potência. Vacilou, e com um simples celular resolvemos a parada…

Notável mesmo esse avanço.

Só que, por outro lado, a transmissão propriamente dita continua exatamente como sempre foi. Com base na opinião e no palpite. E, sobretudo, na paixão que é inerente a quem curte o esporte, seja torcedor, seja aquele a quem os antigos chamavam de “os homens das latinhas”.

Só que hoje eu e você temos condições de ver da minha casa o que realmente aconteceu – se a bola entrou ou não, se o becão fez ou não fez a falta, se o técnico escalou errado ou certo.

De futebol, todos entendemos. À nossa maneira, é claro.

Na boa, precisamos repensar – e sobretudo atualizar – essas linguagens.

**FOTO NO BLOG: Lucas Lima

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