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Para fugir das notícias de hoje

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Foto: Lucas Lima

“Quando Theseus voltou da vitória sobre o Minotauro, conta Plutarco, os atenienses repararam seu navio e, como as pranchas estavam podres, trocaram-nas uma a uma.

Quando a primeira prancha foi colocada no lugar, concordaram que o navio continuava o mesmo.

Uma segunda prancha também não fez diferença.

Em certo ponto, os atenienses haviam trocado todas as pranchas do navio.

Era outro navio?

Em que momento ele se tornou um só?”

*The Logic of Fuzziness, Nazim Soylemezogolu

Desisto de ler e escrever sobre as notícias do dia.

Tento entender (e explicar) o Brasil de hoje pelas epígrafes de cada um dos capítulos do livro Teoria e Técnica do Texto Jornalístico, do professor Nilson Lage (Elsevier Editora, 2005), que reli, com interesse renovado, nessas manhãs de estio.

Deixo as lides jornalísticas de fora, e me fixo no teor dos pensamentos expostos.

Brilhante, o professor Lage!

Noto em cada uma deles, por mais distintos que sejam os autores, exponenciais lições para não nos derrotarmos diante do triste cotidiano de nossa gente.

Pode ser um delírio deste que vos escreve, mas vejo sentido (quase obrigação) em replicá-los hoje aqui.

Vivemos um tempo de exceção (outra vez) e retrocesso.

Navega-se em águas turbulentas.

A tibieza de nossas instituições sugere um inescapável naufrágio social à próxima onda.

E o que sabemos do nosso (ini)minotauro?  Que forma terá?

Fiquemos, pois, com as citações:

“Jorn alista não é aquele que toca na banda; é o que vê a banda passar.”

*Joel Silveira, repórter

“Todos veem aquilo que tu pareces, poucos sentem o que és e estes poucos não se atrevem à opinião de muitos (…). Porque o vulgo deixa-se sempre levar pela aparência e o sucesso das coisas; e no mundo não há senão vulgo e os poucos só têm lugar quando os muitos não têm em quem apoiar-se.”

*Maquiavel, N. O Príncipe, cap. XVIII

“Vivemos uma considerável transformação do sujeito cognitivo, da ciência objetiva e da cultura coletiva. É essa transformação que me faz lastimar, de verdade, não ter mais dezoito anos.”

*Michel Serres (Serres, 2004:10)

“A sociedade da informação só pode existir sob a condição de troca sem barreiras. Ela é incompatível com o embargo ou com a prática do segredo, com as desigualdades de acesso à informação e sua transformação em mercadoria.”

*Norbert Wiener em Cybernetics or control of communication in the animal and machine, 1948.

“Em geral, a arte de governar consiste em tomar tanto dinheiro quanto possível de uma classe de cidadãos para dar a outros.”

*Voltaire, Dicionário Filosófico, 1764

“A quilamba (planta), que não tem raiz, não foi Deus quem fez.”

*Provérbio quimbundo

 

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